• Quinta-feira, 5 de março de 2026

Morte de 157 bois apreendidos pelo Ibama vira denúncia no Senado e revolta produtores

Produtores rurais afirmam que bois apreendidos pelo Ibama foram devolvidos em estado crítico após apreensão durante operação ambiental; caso gerou debate sobre responsabilidade e destino de rebanhos apreendidos

Produtores rurais afirmam que bois apreendidos pelo Ibama foram devolvidos em estado crítico após apreensão durante operação ambiental; caso gerou debate sobre responsabilidade e destino de rebanhos apreendidos Uma denúncia apresentada na Comissão de Agricultura do Senado Federal colocou sob debate a forma como bois apreendidos pelo Ibama em operações ambientais são mantidos sob custódia do poder público. Produtores rurais relataram que mais de 150 cabeças de gado morreram após apreensão realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no estado do Pará, levantando acusações de maus-tratos e falhas na gestão dos animais durante o período em que ficaram sob responsabilidade de um depositário. O caso foi discutido em audiência pública realizada em Brasília e envolve um rebanho apreendido durante uma operação ambiental em 2025. Segundo os relatos apresentados, o destino dos animais e as condições em que foram mantidos durante a custódia geraram forte indignação entre produtores e representantes do setor agropecuário, que cobram explicações das autoridades responsáveis.
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  • Operação ambiental resultou na apreensão de 337 animais O episódio teve origem em março de 2025, durante a chamada “Operação 8 Segundos”, conduzida pelo Ibama no município de Uruará, no Pará. A ação ocorreu em uma área apontada como reserva ambiental desmatada, onde foi encontrado um rebanho bovino mantido na propriedade. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Durante a operação, 337 cabeças de gado foram apreendidas pelas autoridades ambientais. Posteriormente, após decisões judiciais relacionadas ao caso, parte dos animais foi devolvida aos proprietários. No entanto, conforme relatado na audiência do Senado, apenas 180 animais retornaram às fazendas, enquanto 157 morreram durante o período em que estavam sob guarda de um depositário responsável pela custódia do rebanho. A morte de quase metade do rebanho apreendido passou a ser o principal ponto de questionamento por parte dos produtores e entidades ligadas ao setor agropecuário. Fotos mostram animais debilitados Durante a audiência, produtores apresentaram imagens registradas no momento da devolução do gado. De acordo com os relatos, os animais retornaram em condições extremamente debilitadas, muitos deles visivelmente subnutridos e sem força sequer para permanecer em pé. As imagens mostrariam bois apreendidos pelo Ibama com sinais claros de falta de alimentação adequada e cuidados básicos, o que levou representantes do setor a acusarem negligência no manejo do rebanho durante o período de custódia. Para Vinicius Domingues Borba, presidente da Associação dos Produtores Rurais Independentes da Amazônia (Apria), o estado em que o gado foi devolvido levanta questionamentos sobre quem, de fato, teria responsabilidade por eventuais maus-tratos. Segundo ele, a devolução dos animais em situação descrita como “pele e osso” acaba invertendo a narrativa frequentemente utilizada para justificar apreensões, colocando sob suspeita a forma como os rebanhos são tratados após a retirada das propriedades. Ibama aponta responsabilidade do depositário Durante o debate no Senado, representantes do Ibama também apresentaram sua versão sobre o episódio. O diretor de Proteção Ambiental do órgão, Jair Schmitt, afirmou que a legislação prevê que, quando um bem apreendido fica sob responsabilidade de um depositário, cabe a essa pessoa garantir a manutenção e os cuidados necessários com os animais ou produtos apreendidos. Nessas situações, explicou o diretor, eventuais prejuízos decorrentes de negligência ou falhas na guarda deveriam ser atribuídos ao depositário responsável. Entretanto, no caso específico do gado apreendido em Uruará, surgiu um ponto que chamou atenção durante a audiência: não haveria um termo formal estabelecendo essa responsabilidade com a pessoa que ficou com o rebanho. De acordo com as informações apresentadas, a guarda dos animais pode ter sido estabelecida diretamente por meio de uma relação com a prefeitura local, o que gerou dúvidas sobre como se deu exatamente a gestão do rebanho durante o período de custódia. Produtores pedem suspensão de apreensões pelo Ibama A repercussão do caso levou representantes do setor produtivo a solicitarem providências imediatas. O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uruará, Bruno Valle, pediu que a Comissão de Agricultura encaminhe uma recomendação para que o Ibama suspenda temporariamente as apreensões de gado no país, até que haja mais clareza sobre os protocolos de manejo e responsabilidade sobre os animais. Para produtores da região amazônica, a apreensão de rebanhos em operações ambientais tem gerado insegurança, especialmente quando não há garantias sobre a integridade dos animais enquanto estão sob custódia do Estado ou de terceiros. Senado promete acompanhar o caso da morte de bois apreendidos pelo Ibama A audiência foi presidida pelo senador Luis Carlos Heinze, que afirmou que a Comissão de Agricultura do Senado acompanhará o caso de perto. O parlamentar destacou a necessidade de esclarecer o que ocorreu com os animais apreendidos e identificar eventuais responsabilidades administrativas ou legais.
    Por: Redação

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