• Segunda-feira, 16 de março de 2026

Bezerro passa de R$ 3.000 e pressiona reposição; pecuária enfrenta novo ciclo de custos altos

Mesmo com recuo pontual nas cotações do bezerro em algumas regiões, indicadores do Cepea e análises de consultorias mostram que a reposição continua valorizada em 2026, pressionando custos da recria e exigindo mais planejamento dos pecuaristas.

Mesmo com recuo pontual nas cotações do bezerro em algumas regiões, indicadores do Cepea e análises de consultorias mostram que a reposição continua valorizada em 2026, pressionando custos da recria e exigindo mais planejamento dos pecuaristas. O mercado de reposição bovina no Brasil segue em um momento de ajustes de curto prazo, mas ainda sustentado por preços historicamente elevados, especialmente para categorias jovens como o bezerro. Dados recentes indicam que, embora algumas cotações tenham recuado em determinadas regiões ao longo das últimas semanas, o patamar de preços continua elevado e mantém a reposição como um dos principais custos da pecuária de corte. Indicadores de mercado e análises de consultorias apontam que o cenário atual é reflexo de mudanças estruturais no ciclo pecuário brasileiro, combinadas com fatores conjunturais como oscilações no mercado do boi gordo e incertezas no comércio internacional.
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  • Segundo levantamento da consultoria Scot, o mercado de reposição em São Paulo apresentou negociações mais retraídas nas primeiras semanas de março de 2026, com menor liquidez e comportamento cauteloso entre compradores e vendedores. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});De acordo com a zootecnista Stéfany Souza, analista da Scot Consultoria, o período foi marcado inicialmente por estabilidade nas cotações, seguida por ajustes de preços. “Na primeira semana, o ambiente foi marcado por menor liquidez e cautela entre compradores e vendedores, com preços andando de lado”, explicou a analista. Já na segunda semana houve recuo nas cotações, refletindo uma adaptação das expectativas do setor ao cenário econômico atual. No mercado paulista, os dados mostram queda semanal nas principais categorias de machos Nelore, com destaque para:
  • Boi magro: queda de 1,9%
  • Garrote: recuo de 1,2%
  • Bezerro de ano: baixa de 1,7%
  • Por outro lado, o bezerro desmamado apresentou alta de 1,8%, mostrando que as categorias mais jovens continuam valorizadas no mercado. Entre as fêmeas Nelore, a tendência foi semelhante, com retração nos preços de vacas magras, novilhas e bezerras de ano. Apenas a bezerra de desmama registrou valorização, reforçando a demanda por animais jovens para reposição do rebanho. Bezerro mantém patamar acima de R$ 3 mil no país Apesar das oscilações pontuais, o valor do bezerro continua elevado em grande parte do Brasil. Dados do indicador Cepea/Esalq para Mato Grosso do Sul mostram que o animal segue sendo negociado acima de R$ 3 mil por cabeça, refletindo a forte demanda por reposição. Esse movimento está diretamente ligado ao atual momento do ciclo pecuário brasileiro. De acordo com Francisco Manzi, diretor técnico da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), o aumento no preço do bezerro era esperado após anos de abate intenso de fêmeas. “A pecuária vive uma mudança de ciclo. Com maior retenção de matrizes e menor oferta de animais para reposição, a valorização da categoria era inevitável”, afirma o especialista. O impacto dessa valorização é direto para quem atua na recria e engorda. A reposição é um dos principais custos da atividade, e quando os preços do bezerro sobem, a margem do pecuarista pode ficar pressionada, mesmo com a arroba do boi gordo valorizada. Preço do bezerro bate recordes em 2026 Estudos de mercado indicam que o preço do bezerro continua renovando máximas neste início de ano. Dados do Cepea mostram que, na parcial de 2026 até março, o valor do bezerro em arroba acumulou alta de 11,8%, enquanto o preço avaliado por cabeça subiu cerca de 6% no mesmo período. A diferença entre essas duas medições está ligada a uma mudança no peso médio dos animais comercializados. Segundo análise do Farmnews, o peso médio do bezerro negociado em março de 2026 foi de aproximadamente 204 kg, o menor nível mensal desde novembro de 2024. Esse fator faz com que o valor calculado por arroba suba mais rapidamente que o preço por cabeça. Além disso, o mercado registra sete meses consecutivos de alta no preço nominal do bezerro, reforçando a tendência de valorização no atual ciclo pecuário. Relação de troca segue pressionando quem compra reposição Outro ponto importante observado pelos analistas é o comportamento da relação de troca entre o bezerro e o boi gordo, indicador que mede quantas arrobas são necessárias para comprar um animal de reposição. De acordo com a Scot Consultoria, o ágio entre o bezerro desmamado e o boi gordo caiu 9,6% em relação ao mês anterior, chegando a cerca de 38%, mas ainda permanece 44,2% acima do registrado em março de 2025. Isso significa que, embora tenha havido uma pequena melhora recente, o custo relativo da reposição continua elevado quando comparado ao histórico recente. Mercado do boi gordo e cenário global influenciam preços O comportamento da reposição também está diretamente ligado ao mercado do boi gordo. Nos últimos dias, a arroba sofreu pressão em algumas regiões devido às incertezas no cenário internacional. Analistas destacam que tensões geopolíticas e possíveis impactos logísticos no comércio global de proteínas têm levado frigoríficos a agir com mais cautela nas compras, reduzindo temporariamente o ritmo de negociação. Mesmo assim, a demanda internacional por carne bovina brasileira continua forte. Dados recentes mostram aumento das compras por países como Rússia e também pela União Europeia, reforçando o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína animal. Planejamento passa a ser decisivo na pecuária Diante desse cenário, especialistas reforçam que o controle de custos e o planejamento produtivo tornam-se cada vez mais importantes para manter a rentabilidade na pecuária. Para sistemas de produção a pasto, o impacto da reposição cara tende a ser ainda maior, já que o animal permanece mais tempo na propriedade. Nos sistemas intensivos, parte dessa pressão pode ser compensada por ganhos de eficiência alimentar. Especialistas alertam que o pecuarista precisa acompanhar com atenção a relação entre reposição e arroba futura. “Preço não é margem. O mais importante é o produtor conhecer todos os seus custos e planejar cada decisão”, reforça o diretor técnico da Acrimat. Perspectiva para o mercado Apesar da cautela recente nas negociações, a expectativa do setor ainda é de mercado firme para a reposição ao longo de 2026, especialmente devido à oferta limitada de animais.
    Por: Redação

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