• Terça-feira, 24 de março de 2026

BC vê Selic em patamar elevado por mais tempo, diz ata do Copom

Autoridade monetária afirma que aguardará novas informações para analisar os impactos na inflação do Brasil.

O BC (Banco Central) disse nesta 3ª feira (24.mar.2026) que o futuro da taxa básica, a Selic, depende da “profundidade” e da “extensão” dos conflitos no Oriente Médio. Os diretores da autoridade monetária aguardarão novas informações sobre impacto na inflação do Brasil, segundo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária). Eis a íntegra do documento (PDF – 388 kB).

Todos os diretores do BC concluíram, de acordo com a ata, que o cenário atual pede uma restrição monetária “maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”. Leia a frase completa: “A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”.

O Copom do BC (Banco Central) reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano na 4ª feira (18.mar). A decisão foi unânime entre os 7 integrantes do colegiado. Há duas cadeiras vagas que ainda precisam ser enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Senado. O principal cotado para a Diretoria de Política Econômica é o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello. Foi indicado pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mas a definição é do presidente.

Infográfico mostra evolução da taxa básica de juros (% ao ano)

No comunicado, o Banco Central disse que a redução de 0,25 ponto percentual na Selic é uma decisão compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante.

A meta de inflação é de 3%, com tolerância de até 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo –de 1,5% a 4,5%. Medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a inflação foi de 3,81% no acumulado de 12 meses até fevereiro.

O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na 2ª feira (22.mar), mostrou que os agentes financeiros aumentaram a projeção para o IPCA, de 4,10% da semana anterior para 4,17% em 2026.

Infográfico mostra previsões de mercado para a economia em 23.mar.2026

O Banco Central disse que houve “forte aumento da incerteza” e que é preciso ter serenidade e cautela na condução da política monetária. A ata disse que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros vão incorporar informações que aumentem a clareza sobre a “profundidade e a extensão dos conflitos” no Oriente Médio.

O BC disse que o ambiente externo se tornou mais incerto com o acirramento de conflitos geopolíticos que têm reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, disse.

A cotação do barril do petróleo disparou depois do início dos conflitos, o que tem impactos na inflação do Brasil. Os agentes financeiros aumentaram as projeções para a taxa do IPCA de 2026 com os ataques na região.

“O Comitê avalia que perseverança, firmeza e serenidade na condução da política monetária favorecerão a continuidade desse movimento, importante para a convergência da inflação à meta com menor custo”, disse.

O Banco Central disse que a decisão de reduzir a taxa básica de juros para 14,75% ao ano não provoca prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, disse.

Por: Poder360

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