• Segunda-feira, 27 de abril de 2026

Banco Inter revisa projeção e coloca a inflação fora do teto da meta

Economistas consideram a recente alta da inflação puxada por alimentos e combustíveis

A equipe de macroeconomia do Banco Inter publicou, nesta segunda-feira (27), uma revisão da projeção para o fechamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026. Os economistas consideram a recente alta da inflação, puxada por alimentos e combustíveis, para elevar a estimativa de 4,3% para 4,9%.

Os números levam em consideração o forte choque de preços no mercado de combustíveis causado pela guerra no Oriente Médio, com alta de mais de 50% na cotação do petróleo, ainda que parcialmente compensada pela valorização do real. A projeção é da economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, e do gerente de pesquisa macroeconômica, André Valério.

“A inflação em março já trouxe uma surpresa de alta, com variação de 0,88% e, para abril, esperamos uma variação ainda mais forte, próxima de 1%. O fim do conflito e um possível recuo do petróleo pode trazer alívio para os preços no segundo semestre, mas o cenário externo ainda é de bastante incerteza”, diz o relatório.

O dado coloca a projeção da inflação fora da meta de 3%, considerando o intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O documento destaca que, apesar da alta da inflação, existe uma expectativa para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom-BC) siga com o ciclo de corte na Selic.

Nesta quarta-feira (28), o colegiado se reúne para definir a taxa básica de juros. A expectativa do Inter é de um novo corte de 0,25 p.p. “Com a necessidade maior de cautela, a Selic média deve ser mais alta ao longo de 2026 e projetamos que a taxa termine o ano em 12,75%”, destaca.

“A taxa está em patamar ainda bastante restritivo, e por período prolongado, o que vem resultando em desaceleração na demanda principalmente via crédito, o que indica que o efeito do aperto monetário deve continuar, mesmo com reduções moderadas da Selic. Assim, as projeções mais longas para a inflação segue mostrando convergência, ainda que lenta, para a meta, permitindo a atual calibragem”, completou.

Para o Inter, o cenário segue favorável para a valorização do real, considerando uma alta na balança comercial para além dos US$ 80 bilhões com as maiores exportações de soja e petróleo e importações mais contidas pela demanda menos aquecida.

A equipe reduziu a expectativa para o câmbio de R$ 5,40 para R$ 5,10. “O dólar médio mais baixo pode contribuir para evitar maiores repasses de custos impactados pela alta do preço do petróleo”, disse.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), os economistas mantiveram a estimativa de crescimento em 1,8%. “Para o ano, podemos ver um breve reaquecimento da demanda no 2º trimestre, seguindo maiores estímulos fiscais, mas o crédito mais restrito deve significar um ritmo de crescimento menor do consumo das famílias”, completou.

Por: ITATIAIA

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