A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido escuro encontrado em um sítio em Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é realmente petróleo. A descoberta ocorreu após um longo processo, iniciado em julho de 2025. As informações são do g1.
No ano passado, a família do agricultor Sidrônio Moreira comunicou o achado à ANP durante uma perfuração no solo do sítio em busca de água. A agência visitou o sítio sete meses depois, em março de 2026. Os resultados divulgados na última terça-feira (19) confirmaram que a substância é petróleo cru.
De acordo com a ANP, o resultado foi enviado na quarta-feira (20) para o proprietário do terreno e também foi encaminhado para a Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semace). A pasta poderá “avaliar a necessidade de medidas e/ou orientações ao proprietário sobre aspectos relacionados a questões ambientais”.
Os técnicos da ANP não colheram uma amostra no local, mas levaram uma amostra feita pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início. A equipe da agência revelou espanto com a descoberta, pois é incomum que líquido semelhante a petróleo jorre de uma profundidade considerada rasa (40 metros).
Com a confirmação do petróleo, a ANP abriu um processo administrativo para avaliar a área e o seu contexto geológico, de modo a estudar o tamanho das reservas e a viabilidade da exploração. A ANP, porém, destacou que “não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica”. O processo completo envolve estudos geológicos, análises ambientais, licenciamento e eventual instalação de estruturas de produção, etapas que podem levar anos.
Mesmo com a descoberta feita dentro da própria propriedade, Sidrônio não terá a posse do petróleo. Isso porque a Constituição Federal determina que o subsolo e seus recursos minerais, incluindo petróleo e gás natural, pertencem à União.
Segundo a legislação brasileira, proprietários de terrenos onde ocorre produção de petróleo podem receber um percentual sobre a exploração, valor que pode chegar a até 1%, dependendo de fatores técnicos e econômicos.
O agricultor Sidrônio Moreira perfurava o solo em busca de água para abastecimento da família – que não possui água encanada em casa. Em determinado momento, um líquido escuro emergiu do buraco e o agricultor chega a comemorar, pensando se tratar de água. Semanas mais tarde, porém, a família descobriu que o líquido poderia ser petróleo.
Após a descoberta do líquido, a família procurou o Instituto Federal do Ceará (IFCE), que começou a investigar o caso. Testes laboratoriais apontaram que a amostra do líquido encontrada tem as mesmas características físico-químicas do petróleo de jazidas da região vizinha, no Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, porém, só pode ser dada pela Agência Nacional do Petróleo.
A ANP orientou que a área deve ficar isolada e que os moradores devem evitar contato com o material, pois pode trazer riscos. Os técnicos também disseram que ninguém mais pode acessar o poço e outras amostras não devem ser retiradas por ora.
Enquanto aguardava o laudo do órgão, a família seguia com problemas de acesso à água, e não há prazo para resposta definitiva do órgão. No fim do mês de março, a família de Sidrônio voltou a receber água de uma adutora antiga da cidade, que funcionou por um bom tempo, mas não estava sendo suficiente. Com a repercussão do caso, a adutora voltou a atender a família do agricultor.





