A declaração do ministro dos Esportes, Ahmad Donyamali, na quarta-feira (11), de que o Irã não pode participar de uma Copa do Mundo coorganizada pelos Estados Unidos, ofereceu a indicação mais clara da possibilidade de uma primeira de desistência do evento mais importante do futebol mundial na era moderna.
Embora isso não tenha acontecido oficialmente até o momento, as mentes da Fifa, dirigente do futebol mundial, devem agora abordar com mais urgência a perspectiva de ter que substituir os iranianos no torneio que começa em junho nos EUA, México e Canadá.
Donyamali disse que seria impossível para o Irã participar depois que os ataques aéreos lançados pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro mataram o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, desencadeando um conflito em toda a região que não mostra sinais de diminuição.
Embora sempre tenha parecido contraintuitivo que o Irã participe de uma Copa do Mundo enquanto está em guerra com um dos anfitriões, a Fifa ainda apostava claramente, na terça-feira (10), que o time iraniano participaria do primeiro jogo da fase de grupos contra a Nova Zelândia, em Los Angeles, no dia 15 de junho.
Apenas algumas horas antes da declaração de Donyamali, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, anunciou uma garantia de Trump de que o Irã seria "bem-vindo para competir no torneio nos Estados Unidos".
Uma desistência seria regida pelo Artigo Seis dos regulamentos da Copa do Mundo que, ao mesmo tempo em que estipula uma série de deliberações financeiras para tal ação, também afirma que a Fifa teria a liberdade de convocar qualquer nação que escolhesse para preencher a lacuna.
“Não há precedentes modernos para isso e, de acordo com os regulamentos do torneio da própria Fifa, eles têm total liberdade para fazer o que quiserem no caso de uma equipe se retirar”, disse à Reuters James Kitching, ex-diretor de regras do futebol da Fifa.
"O regulamento do torneio também prevê avaliações disciplinares para qualquer federação cuja equipe se aposente. No entanto, se o Irã se retirar por qualquer motivo relacionado a esse conflito atual, duvido que a Fifa impusesse quaisquer sanções, dadas as circunstâncias."
Os iranianos se classificaram para a quarta Copa do Mundo consecutiva ao vencerem o Grupo A na terceira fase das eliminatórias asiáticas no ano passado e um substituto do continente mais populoso do mundo faria mais sentido, mesmo que isso não seja tão simples quanto possa parecer.
A Fifa ainda não comentou a declaração de Donyamali, enquanto uma fonte da Confederação Asiática de Futebol disse que ela "está monitorando de perto a situação e permanece em contato com a Fifa" sobre possíveis substituições do Irã.
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