• Domingo, 12 de abril de 2026

Alta de tarifa sobre eletrônicos repercute nas redes e alerta Planalto

Vídeo de Nikolas reacende memórias do caso Pix e faz governo reavaliar iniciativa que pode reforçar caixa em até R$ 20 bi.

A notícia de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o imposto de importação de cerca de 1.000 produtos, incluindo smartphones, máquinas industriais (bens de capital) e equipamentos de informática e telecomunicações, repercutiu de forma negativa nas redes sociais.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou, na noite de 3ª feira (24.fev.2026), um vídeo de pouco mais de 3 minutos com críticas à alta das alíquotas, que podem chegar a 25% e começaria a valer em março. A publicação já foi visualizada por 1,7 milhão de usuários no X e curtida por 1,6 milhão de perfis no Instagram.

Assista ao vídeo (3min6s):

“Você piscou e esse cara aqui acabou de criar mais 1 imposto em nosso país”, inicia o deputado no vídeo, em referência ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT). “Esse é o governo que mais arrecada imposto e continua aumentando. Mas também, né, gente, quem vai pagar a diária do hotel da Janja de R$ 7.625 lá na Coreia do Sul? Tem de ser você. Acorde cedo: a Janja precisa gastar o seu dinheiro”.

Em entrevista a jornalistas na 4ª feira (25.fev), Haddad defendeu a medida, justificando que ela tem caráter regulatório e busca “proteger a produção nacional”. De acordo com o ministro, mais de 90% dos itens afetados são fabricados no Brasil, o que diminui o impacto sobre o consumidor.

“Qual é o objetivo? Trazer essa empresa para o território nacional. Não tem impacto, a não ser na proteção da produção nacional”, afirmou o ministro depois de retornar de viagem à Índia e à Coreia do Sul, onde acompanhou Lula.

Haddad disse que a norma permite revisões pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com possibilidade de redução ou zeragem da tarifa, caso necessário. Estimativa da IFI (Instituição Fiscal Independente), órgão ligado ao Senado Federal, aponta que a medida, incorporada ao Orçamento Geral da União, pode reforçar o caixa federal em até R$ 20 bilhões.

A repercussão negativa, no entanto, pode fazer o governo voltar atrás e revogar a decisão. Segundo apuração do repórter Fabio Graner, do jornal O Globo, essa avaliação tem sido feita no Palácio do Planalto. O governo teme que a alíquota seja usada pela oposição em ano eleitoral, especialmente em um momento de maior fragilidade nas pesquisas de intenção de voto.

O episódio reacende memórias do início de 2025, quando um normativo da Receita Federal que ampliava o monitoramento de transferências de R$ 5.000 via Pix por pessoas físicas –também objeto de um vídeo de Nikolas– foi explorado pela oposição. O debate foi impulsionado por uma notícia falsa de que o governo federal taxaria esse tipo de transação.

Na ocasião, a repercussão negativa foi tamanha que o Planalto recuou e revogou o normativo que, na prática, exigia das fintechs a mesma fiscalização já aplicada aos bancos tradicionais. A medida foi retomada depois da operação Carbono Oculto, da PF (Polícia Federal).

Em nota técnica, a Fazenda informou que as compras externas de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022. A participação desses produtos importados no consumo nacional superou 45% em dezembro do ano passado.

Para a equipe econômica, esse nível de entrada no mercado nacional ameaça “colapsar elos da cadeia produtiva” e provocar regressão produtiva e tecnológica no país.

O ministério classificou a alta da alíquota como uma medida “moderada e focalizada”, necessária para reequilibrar preços, mitigar concorrência considerada assimétrica e reduzir a vulnerabilidade externa.

Em 2024, as principais origens das importações desses itens foram Estados Unidos (34,7% do total), China (21,1%), Singapura (8,8%) e França (8,6%).

Lista simplificada de produtos taxados:

Apesar do aumento, o governo abriu prazo até 31 de março para pedidos de redução temporária da alíquota a zero para produtos que já tinham benefício anterior. A concessão poderá ser provisória, por até 120 dias.

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Por: Poder360

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