Algas contra a seca: Embrapa testa tecnologia para blindar lavouras contra a falta de chuva
Pesquisa da Embrapa Agroenergia utiliza bioestimulantes à base de algas contra a seca para elevar a produtividade em até 160% e fortalecer as raízes de culturas como trigo e canola no Cerrado.
Pesquisa da Embrapa Agroenergia utiliza bioestimulantes à base de algas contra a seca para elevar a produtividade em até 160% e fortalecer as raízes de culturas como trigo e canola no Cerrado.A resiliência climática no campo acaba de ganhar um aliado promissor vindo das profundezas do litoral brasileiro. Pesquisadores da Embrapa Agroenergia (DF) estão finalizando as etapas laboratoriais de um bioestimulante inovador que utiliza algas contra a seca. O projeto, batizado de Algoj, foca em mitigar os prejuízos causados pelo estresse hídrico em culturas essenciais para o agronegócio nacional, como o trigo e a canola. Os primeiros resultados, obtidos em ambiente controlado, são disruptivos: o uso dos extratos marinhos gerou um aumento de 160% na formação de síliquas na canola (estruturas que carregam as sementes) e uma expansão de 12% no sistema radicular do trigo. Esse crescimento nas raízes é estratégico, pois permite que a planta acesse reservatórios de água mais profundos no solo durante os veranicos.
Bioestimulantes: O poder das algas contra a seca no Cerrado O projeto Algoj — nome que remete ao termo “alga” em esperanto — nasceu de uma cooperação estratégica entre a Embrapa e a empresa CBKK, contando com o aporte da Embrapii. O foco central da pesquisa não é a nutrição convencional, mas sim a extração de metabólitos secundários. window._taboola = window._taboola || [];
_taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Segundo a pesquisadora Simone Mendonça, líder do projeto, esses compostos funcionam como “sinalizadores químicos”. Diferente de proteínas e lipídios, esses fitormônios atuam em quantidades mínimas, mas são capazes de reprogramar a resposta fisiológica da planta diante da escassez de água. Ao longo de dois anos, quatro espécies de algas foram rigorosamente analisadas, resultando na seleção de três linhagens com alto potencial biotecnológico. Logística e inovação: Do extrato líquido ao pó molhável Um dos grandes gargalos para o uso de algas contra a seca em escala comercial era a logística. O transporte de bioinsumos líquidos eleva os custos de frete e aumenta o risco de degradação térmica dos componentes sensíveis. Para solucionar o problema, a equipe científica desenvolveu uma versão em pó molhável através do processo de spray dryer. “O desafio era proteger os fitormônios do calor durante a secagem”, explica Mendonça. Com o uso de adjuvantes específicos, a Embrapa alcançou um rendimento de 80% no processo, entregando um produto final com apenas 1,5% de umidade. Essa estabilidade garante que a tecnologia chegue ao produtor com toda a sua potência bioativa preservada. Canola em casa de vegetação. Foto: Agnaldo Chaves.Validação em campo e o futuro da safra 2026 Embora os dados de casa de vegetação sejam animadores, a equipe mantém os pés no chão. O pesquisador Agnaldo Chaves ressalta que as condições de campo impõem desafios variáveis de temperatura e solo. “ Se conseguirmos replicar de 5 a 10% dessa produtividade em campo, já seria um ótimo incremento“, pondera o especialista. Com a conclusão da fase de laboratório agora em janeiro de 2026, o cronograma prevê o início imediato de experimentos em lavouras comerciais. O objetivo é ajustar dosagens e épocas de aplicação para diferentes regimes pluviométricos. Além da proteção às lavouras, o projeto promete fomentar a economia azul, gerando renda para comunidades que vivem do manejo sustentável de algas no litoral brasileiro.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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Por: Redação
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