A Agrishow, realizada em Ribeirão Preto (SP), apresentou nesta quarta-feira (29) uma série de soluções voltadas à operação agrícola em áreas com sinal instável ou até mesmo sem acesso contínuo à internet. A feira destacou tecnologias, conforme divulgado pelo Estadão Conteúdo, capazes de funcionar com conexão limitada, refletindo um cenário em que a conectividade rural ainda não alcança grande parte das propriedades produtivas no Brasil.
Entre os principais destaques está o desenvolvimento de equipamentos que necessitam de conexão apenas no início da operação. Um exemplo é uma nova adubadora da Marispan, controlada por aplicativo no celular, que permite ao produtor definir o tipo de adubo, volume de aplicação e trajeto de trabalho. Após o início, o equipamento continua operando mesmo sem internet, garantindo eficiência no campo.
A tecnologia chamou a atenção de produtores, como o cafeicultor André Nogueira, de Franca (SP), que já utiliza equipamentos similares de forma manual e vê potencial de avanço com a automação. A expectativa é que soluções como essa contribuam diretamente para a modernização das lavouras e aumento da produtividade.
Outro ponto relevante apresentado na feira foi o avanço no monitoramento de frotas agrícolas. Sistemas como o GTFrota, da Excel, permitem rastrear o consumo de diesel desde a entrega até o uso nas máquinas, podendo operar com conexão via satélite, inclusive por meio de parcerias com serviços como a Starlink.
Apesar das inovações, a conectividade rural ainda é um gargalo. Dados do Indicador de Conectividade Rural (ICR), desenvolvido pela ConectarAgro em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV), mostram que a cobertura de redes móveis no campo subiu de 18,7% para 33,9% entre 2024 e 2025. Ainda assim, cerca de dois terços das propriedades permanecem sem acesso adequado.
Na avaliação de especialistas do setor, ampliar a conectividade é essencial para reduzir custos, aumentar a produtividade e promover a inclusão digital no campo. Enquanto isso, empresas seguem adaptando suas soluções para a realidade brasileira, desenvolvendo tecnologias que operam parcialmente ou totalmente independentes da internet convencional — um movimento que tende a acelerar a transformação digital no agronegócio.
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