A postura de Donald Trump após a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil frustrou aliados do senador, que esperavam uma reação mais contundente dos Estados Unidos. Entre as medidas aguardadas estavam a retomada de sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e a concessão de asilo político.
As informações foram apresentadas em análise publicada pela jornalista e cientista política Edilene Lopes. Segundo o texto, aliados defendiam a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes sob o argumento de que o ministro promoveria perseguição política. A avaliação do grupo ganhou força depois de Moraes determinar a entrega dos passaportes do senador sete minutos após uma decisão judicial relacionada ao caso.
Sanções e asilo não foram anunciados
O grupo também considerava possível uma sanção contra Cristiano Zanin, outro ministro do STF. A medida estaria relacionada à prorrogação do horário de votação nas eleições. A iniciativa, no entanto, poderia gerar uma contradição política, porque o próprio PL havia solicitado a extensão do período de votação.
Outra expectativa era que Trump concedesse asilo político ao senador. Até o momento, porém, ele tem apenas uma autorização de permanência temporária nos Estados Unidos. O presidente americano declarou que o brasileiro poderia ficar no país pelo tempo que quisesse, mas não anunciou o reconhecimento formal da condição de asilado.
A frustração dos aliados aumentou após Trump afirmar que não tinha planos de se encontrar com o senador. Na mesma ocasião, o presidente dos Estados Unidos declarou manter uma boa relação com Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor das eleições brasileiras. Para o grupo próximo ao parlamentar, os gestos ficaram abaixo do apoio político esperado de Washington.
Prioridade nas eleições americanas
O cenário ocorre durante as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). As chamadas midterms definem a composição da Câmara e parte do Senado americano.
De acordo com a análise, a disputa pelo controle do Congresso e as preocupações dos eleitores com inflação, custo de vida e economia concentram a atenção de Trump. Nesse contexto, ampliar o confronto com o governo brasileiro poderia representar um desgaste adicional para a Casa Branca.
