O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) sinalizaram resistência ao apoio à reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) para a Presidência do Senado. A decisão foi anunciada pelos presidentes nacionais dos partidos que integram a federação União Progressista, mas não foi acompanhada pelos dois parlamentares.
Derrite afirmou que não votará em Alcolumbre e defendeu a união da direita em torno de um único candidato. Nesta semana, ele deve participar de uma reunião para discutir estratégias de apoio à candidatura de Rogério Marinho (PL-RN).
Tereza Cristina questionou a antecipação de uma posição coletiva e ressaltou a autonomia dos senadores em uma eleição de voto secreto. Além de não aderir ao apoio anunciado pela federação, ela mantém o próprio nome na disputa pelo comando da Casa.
Disputa na oposição
Na semana passada, Tereza Cristina se reuniu com Rogério Marinho para tentar construir uma candidatura única de oposição a Alcolumbre, mas não houve acordo. Segundo apuração da CNN, a senadora pretende se apresentar como uma alternativa aos dois nomes.
A estratégia é baseada na avaliação de que ela teria trânsito entre diferentes partidos, incluindo siglas governistas e legendas do Centrão. O material não informa, porém, se a parlamentar formalizou uma candidatura ou se recebeu apoios para a disputa.
Reação da federação
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, afirma a interlocutores que respeita decisões pessoais. Aliados dizem que ele acompanha as declarações consideradas precipitadas e deve conversar individualmente com os senadores mais perto da data da votação.
As manifestações de Derrite e Tereza Cristina são vistas por integrantes da federação como um desafio ao comando de Ciro Nogueira. A avaliação de aliados do senador, no entanto, é que ele manterá o controle do partido mesmo sem mandato a partir de fevereiro de 2027.
Aliados de outras siglas avaliam que a definição de espaços em comissões e de relatorias de propostas de segurança pública, área de atuação de Derrite, pode fazer parte das conversas para aproximá-lo da candidatura de Alcolumbre. Trata-se, segundo o material, de uma possibilidade nas negociações, não de um acordo anunciado.
A eleição para a Presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027. A federação União Progressista terá 11 representantes na Casa a partir de fevereiro. Como a votação será secreta e individual, os parlamentares poderão contrariar publicamente a orientação partidária sem que seja possível identificar seus votos.
