As divergências sobre o rumo da política econômica já dividem integrantes do governo federal e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) antes do mandato previsto para começar em janeiro de 2027. O debate envolve o controle das contas públicas, o cumprimento das metas fiscais, os investimentos e a taxa de juros.
Na avaliação do analista de Política da CNN Teo Cury, a discussão expõe um racha entre aliados e conselheiros próximos ao presidente. Segundo ele, a disputa tende a se repetir no próximo governo e marcou todo o terceiro mandato.
Disputa sobre gastos e juros
De um lado, há integrantes favoráveis a uma condução mais rígida das contas públicas e à defesa do arcabouço fiscal. De outro, estão os que defendem ampliar investimentos e gastos como forma de impulsionar a economia brasileira.
A semana também foi marcada pelo debate sobre o tabelamento da taxa de juros, tema que opõe integrantes do governo e conselheiros da área econômica. Para Teo Cury, as diferenças ficaram evidentes ao longo do dia anterior e revelam visões distintas dentro da própria administração sobre a política econômica.
O comando do Ministério da Fazenda no próximo mandato ainda não foi definido. Um dos nomes mencionados nos bastidores é o de Rafael Fonteles (PT), governador reeleito do Piauí, descrito na análise como bem avaliado pelo mercado financeiro por sua atuação econômica no estado, primeiro como secretário e depois como governador.
Não há confirmação oficial de que Fonteles será indicado. Conforme a avaliação apresentada, Lula tem ouvido aliados e conselheiros antes de tomar a decisão e aguarda um intervalo após o segundo turno das eleições.
A expectativa é que a nova composição da Esplanada dos Ministérios seja definida nos próximos dias. A área econômica está entre os principais focos de atenção do mercado financeiro e da indústria, que acompanham com cautela os próximos passos da política fiscal.
