• Quinta-feira, 28 de maio de 2026

14º Conafe: oscilação de preços e queda no consumo do feijão mobilizam debate em BH

Com a organização da EPAMIG, Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão começou nesta quarta-feira (27) e vai até sexta (29) na capital

A 14ª edição do Congresso Nacional de Pesquisa do Feijão (Conafe) começou nesta quarta-feira (27), na Cidade Administrativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte. O maior evento técnico-científico da cultura no país ocorre a cada três anos e, em 2026, marca um momento crucial de retomada presencial para o setor. Durante três dias, uma cadeia diversa que vai de pesquisadores e grandes empresários até agricultores familiares debate estratégias para fortalecer o mercado de um dos alimentos mais sagrados da mesa do brasileiro.

Apesar de sua importância cultural, o feijão enfrenta um cenário econômico complexo. O brasileiro consome, em média, 12,7 kg do grão por ano, mas esse índice vem registrando queda gradativa. O setor lida ainda com uma forte instabilidade de preços decorrente de uma exclusividade cultural: o brasileiro prefere o feijão tipo carioca, um grão que praticamente só é produzido e consumido dentro das fronteiras nacionais.

"Isso faz com que esse produto não seja uma commodity", explicou Fabio Aurélio Dias Martins, pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e coordenador geral do Conafe 2026. Segundo o especialista, a falta de inserção no mercado global gera consequências diretas no bolso. "Quando a gente tem alguma escassez ou algum excesso, por menor que seja, isso impacta diretamente no preço. Uma precificação alta atrapalha o consumidor e impacta a economia de forma geral. Já a precificação baixa desestimula o produtor a investir", apontou à Itatiaia.

Diferente de grandes culturas como a soja e o milho, o feijão exige um nível de manejo minucioso. "Nós o chamamos de 'a hortaliça dos grãos' porque ele demanda muitos cuidados e atenção", disse Martins. Essa sensibilidade da lavoura tem deixado os produtores em alerta máximo devido ao cenário geopolítico global. Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio encareceram drasticamente os insumos agrícolas importados, elevando os custos de produção no campo.

Minas Gerais ocupa uma posição estratégica no cenário. O estado é o segundo maior produtor nacional, entregando anualmente entre 500 mil e 600 mil toneladas do grão (de um total de 3 milhões de toneladas produzidas no Brasil). O território mineiro funciona como um "retrato" da produção nacional por abrigar tanto a agricultura familiar de subsistência quanto o cultivo altamente tecnológico e irrigado do Noroeste do estado, em polos como Unaí e Paracatu.

Até a próxima sexta-feira (29), o Conafe funciona como uma grande vitrine de negócios e inovação para encontrar saídas financeiras viáveis para o produtor e garantir que o feijão continue acessível à mesa da população.

Por: ITATIAIA

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