Ao ser preso pela Polícia federal na manhã desta 4ª feira (4.mar.2026), o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou aos investigadores que nunca teve a “intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto”.
Uma das razões que embasaram a autorização da 3ª fase da operação Compliance Zero foram as conversas do empresário com grupo de funcionários que, segundo a PF, atuavam como núcleo de intimidação de adversários de Vorcaro.
Em uma das mensagens citadas na representação, Vorcaro pede que fosse realizado um assalto forjado para “assustar” o colunista Lauro Jardim, d’O Globo. Segundo a corporação, conversas colhidas no celular do banqueiro indicam que ele pediu um ataque ao jornalista: “Quero dar um pau nele”.

Diante dos investigadores, Vorcaro negou as suspeitas e disse que mensagens foram em “tom de desabafo” e que não tinha a intenção de intimidar quem quer que seja. “Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência”, disse o ex-banqueiro.
Leia a íntegra da nota da assessoria de Vorcaro:
“A assessoria de imprensa de Daniel Vorcaro esclarece que o empresário informou, no momento de sua prisão, que jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto.
“Afirmou textualmente que “sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas. Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência.”
“Vorcaro segue colaborando com as autoridades competentes e confia que a análise completa das informações esclarecerá definitivamente as interpretações equivocadas que vêm sendo divulgada”.
Na decisão (PDF – 384 kB) em que autorizou a ação, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça citou um parecer elaborado pela PGR (Procuradoria Geral da República) emitido na semana passada sobre as mensagens de Vorcaro. A Procuradoria, comandada por Paulo Gonet, disse não haver indicadores de perigo iminente que indicassem a necessidade de uma intervenção com medidas cautelares contra o grupo. A PGR declarou que “não pode ser favorável aos pedidos cautelares, não podendo aboná-los”.
Mendonça rebateu a tese em sua decisão ao declarar que “lamenta” a posição da PGR. Para o relator do caso no STF, havia indícios robustos de crimes contra a “integridade física e moral de cidadãos comuns, de jornalistas e até mesmo de autoridades públicas”. O ministro também cita os indicativos de “ter havido acesso indevido” aos sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até mesmo de organismos internacionais como a Interpol.
Além de Vorcaro, foram presos preventivamente:
Também foi autorizada a busca e apreensão em 15 endereços ligados aos investigados em São Paulo e Minas Gerais.
Mendonça determinou o afastamento de cargos públicos e o sequestro de bens no montante de até R$ 22 bilhões.
A decisão de Mendonça também cita funcionários do Banco Central que, de acordo com a PF, teriam sido cooptados por um núcleo organizado por Vorcaro. São eles:
Mendonça determinou que Souza e Santana sejam afastados de suas funções públicas no Banco Central. Ele também proibiu que mantenham contato com testemunhas ou demais investigados na Compliance Zero. Por fim, determinou o uso de tornozeleira eletrônica. Os investigados devem ficar no seu município de residência e entregar seus passaportes para a Polícia Federal.
Há auxiliares citados, como Leonardo Augusto Furtado Palhares. De acordo com a PF, ele atuava na formalização de documentos de contratação de Vorcaro e Zettel para com os servidores. As empresas de fachada eram utilizadas para fazer pagamentos de “propina”, segundo Mendonça.
Já Ana Claudia Queiroz de Paiva, funcionária de Vorcaro, fazia as movimentações financeiras para o grupo investigado, “participando da estrutura responsável pela execução de pagamentos vinculados às iniciativas” do empresário.
Por fim, Mendonça atendeu a outro pedido da Polícia Federal, que apontou indícios de lavagem de dinheiro, e determinou a suspensão por tempo indeterminado das seguintes empresas:
As investigações começaram em 2024, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que solicitou a verificação de indícios de fabricação e venda de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional) e circulação de “ativos podres” para ocultar rombos financeiros.
Estão no centro das investigações o Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, e gestores, executivos e empresários ligados a fundos de investimentos e operações com títulos de crédito.





