O banqueiro Daniel Vorcaro ampliou em cerca de 29% sua posição acionária no Banco Master ao comprar a participação de um dos principais sócios da instituição por R$ 650 milhões, segundo informações de sua declaração de Imposto de Renda de 2025 (ano-base 2024).
O documento indica que a operação foi realizada integralmente a prazo. Não houve pagamento no ano da transação. Foi, dessa forma, a fiado. Os dados constam em documentos, aos quais o Poder360 teve acesso, entregues pela Receita Federal à CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), após a quebra de sigilo bancário e fiscal de Vorcaro.
A compra envolve a DV Holding, empresa que pertencia ao empresário Maurício Quadrado e que concentra ações do Banco Master.
Pelos dados declarados ao Fisco, a holding adquirida tinha:
No total, cerca de 40,1 milhões de ações da instituição financeira.
Antes da operação, Vorcaro já controlava 140.182.057 ações do Banco Master, que foram integralizadas em julho de 2024 na Master Holding Financeira, estrutura societária usada para consolidar sua participação no banco.
Com a incorporação das ações presentes na DV Holding, o número de papéis sob influência do banqueiro sobe para aproximadamente 180 milhões.
Isso representa um aumento de cerca de 29% na quantidade de ações do banco sob seu controle, considerando apenas os números informados na declaração de Imposto de Renda.
A declaração também indica que o negócio foi feito sem desembolso em 2024.
O ativo aparece registrado pelo valor de R$ 650 milhões, com indicação de aquisição da participação societária, mas sem pagamentos efetuados no ano-base.
Na prática, o registro sugere que a compra foi estruturada com pagamento diferido, modelo comum em transações societárias nas quais o comprador assume a dívida e liquida o valor em parcelas futuras.
Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, quando embarcava para os Emirados Árabes Unidos. A Polícia Federal suspeitava de risco de fuga. A prisão foi feita durante a 1ª fase da operação Compliance Zero, realizada em conjunto com o MPF, e que também resultou na detenção do banqueiro Augusto Lima.
Segundo a PF, o Banco Master emitia CDBs (Certificado de Depósito Bancário) com a promessa irreal de pagar 40% acima das taxas praticadas pelo mercado. Um dia depois da prisão de Vorcaro, o Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central.
Em março de 2026, operação Compliance Zero chegou à sua 3ª fase, com a 2ª prisão de Vorcaro e de um grupo suspeito de monitorar e intimidar adversários do ex-banqueiro. Leia mais sobre a 2ª e a 3ª fase da operação nesta reportagem.





