• Domingo, 11 de janeiro de 2026

Uso prolongado de remédio para dormir pode afetar bem-estar de idoso

Pesquisa associa prejuízos cognitivos e aumento do risco de queda em idosos que fazem o uso crônico dessas medicações.

Cada vez mais comum, a dificuldade para dormir tem levado muitas pessoas que sofrem com distúrbios do sono, como a insônia, a recorrerem a medicamentos para conseguir descansar. Mas um estudo publicado em outubro na revista The Lancet Regional Health mostra que essa dependência pode trazer riscos.

Pesquisadores simularam 2 futuros para um mesmo grupo populacional de 15,3 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Todas tinham acima de 50 anos e faziam uso regular de medicamentos para dormir. No 1º cenário, o uso da droga foi mantido; no outro, interrompido. Os resultados demonstram que evitar o uso das medicações reduziu o comprometimento cognitivo ao longo da vida, além de ter sido observada uma melhora considerável no tempo e, principalmente, na qualidade de vida desses pacientes. 

A publicação também alerta para o risco de quedas e prejuízos cognitivos em idosos. “Se reduzirmos ou interrompermos o uso desses medicamentos, diminuímos a incidência desses eventos, pois quanto maior for a quantidade de sedação, mais alterações do equilíbrio podem aumentar o risco de queda”, afirma a neurofisiologista especialista em sono Leticia Soster, do Einstein Hospital Israelita.

A insônia pode tanto ser sintoma de outra condição, como ansiedade ou transtornos de humor, quanto uma patologia isolada. Neste último caso, quando há o diagnóstico de insônia crônica, o quadro se da pelo menos 3 noites por semana e por mais de 3 meses. Como a privação do sono pode acarretar uma série de malefícios para a saúde física e mental, inclusive com a possibilidade de desenvolver novas doenças, é nessas situações crônicas que o tratamento medicamentoso pode ser uma opção. 

Mas esse uso não deve ser permanente e sempre precisa ser acompanhado por um médico especialista. “O equilíbrio está em manter a qualidade de vida de uma forma global, e o sono é um item da qualidade de vida. É possível fazer o uso temporário do medicamento, mas lembrando que não é uma coisa para tratar para sempre. Não se deve normalizar o uso crônico desses remédios por anos”, afirma Soster.

Os achados do estudo reforçam a necessidade de revisar o consumo prolongado desses medicamentos. Para os autores, o uso crônico, como vem sendo feito, pode piorar a qualidade de vida. Esforços para desprescrever, isto é, reduzir ou interromper o uso dessas medicações, podem estar relacionados à melhora da qualidade de vida em adultos de meia-idade e idosos.

“O que se fala na prática clínica da medicina do sono é que, eventualmente, podemos usar essas medicações, mas com um papel importante só em momentos específicos. Se mantidos por longos anos, o custo em saúde é muito maior do que o benefício agregado”, afirma a médica do Einstein. 

Nesse sentido, a pesquisa sugere que o principal desafio é organizar políticas e práticas clínicas que permitam essa redução em larga escala. “Isso depende de capacitar profissionais, revisar prescrições de rotina e criar programas de desprescrição”, disse Leticia Soster.

A versão mais recente do Consenso Brasileiro de Insônia, elaborado pela Academia Brasileira do Sono e pela Associação Brasileira de Medicina do Sono, aponta a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I) como a principal estratégia não farmacológica para tratar o problema. O documento também recomenda, em complemento à terapia, medidas como a prática regular de exercícios físicos e ações de higiene do sono — um conjunto de hábitos que ajudam a melhorar a qualidade do descanso.

Segundo o Ministério da Saúde, com base na 3ª edição da ICSD (Classificação Internacional de Distúrbios do Sono), a insônia crônica se manifesta por sinais como dificuldade para iniciar ou manter o sono, despertares antecipados, resistência em ir para a cama no horário adequado e dependência de outras pessoas (pais e cuidadores, por exemplo) para adormecer.

Além disso, são frequentes sintomas como fadiga; redução da atenção, concentração ou memória; prejuízos nas relações sociais, familiares, no trabalho ou no desempenho escolar; alterações de humor e irritabilidade; sonolência diurna; mudanças comportamentais; perda de motivação; maior risco de acidentes e erros; e uma sensação persistente de preocupação ou insatisfação com o próprio sono.

Com informações da Agência Einstein.

Por: Poder360

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