Uma operação coordenada pela Polícia Civil desmantelou uma associação criminosa especializada em saquear cargas ferroviárias na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A ação resultou na prisão de cinco indivíduos e no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão entre a última sexta-feira (1º) e esta segunda-feira (4).
O grupo realizava o perigoso furto de soja em Campinas escalando os vagões com as composições ainda em circulação, gerando graves prejuízos logísticos e riscos severos de acidentes.
Como funcionava o esquema de furto de soja em CampinasDe acordo com as investigações lideradas pelo delegado Luiz Fernando Marucci, titular do 11º Distrito Policial de Campinas, os criminosos agiam de forma estratégica e coordenada. Eles aproveitavam os trechos malha ferroviária onde os maquinistas eram obrigados a reduzir a velocidade devido à topografia ou sinalização da via.
Nesse momento de desaceleração, integrantes do bando subiam nas composições, rompiam as travas das escotilhas superiores e enchiam grandes sacos com os grãos. Na sequência, as sacas eram arremessadas para fora da ferrovia.
“Eles enchiam grandes sacos com soja, jogavam essas sojas às margens da rodovia com risco de descarrilamento, e depois uma pessoa passava recolhendo esse material”, explicou o delegado Marucci.
A engrenagem criminosa contava com uma divisão clara de tarefas para viabilizar o furto de soja em Campinas. A organização dividia-se entre os executores da escalada, os responsáveis pelo transporte terrestre imediato, equipes de guarda provisória — cujo primeiro depósito ocorria em uma residência no bairro Satélite Íris — e os receptadores finais do produto.
Logística financeira e os prejuízos ao agronegócioO mercado paralelo da commodity operava com forte defasagem de valores em relação ao comércio legalizado. Conforme apontado pela Polícia Civil, enquanto a cotação regular de uma saca de soja de 60 quilos no mercado físico gira em torno de R$ 110, os líderes do esquema revendiam o produto ilícito por aproximadamente R$ 60, operando totalmente sem nota fiscal e sonegando impostos tributários.
Por outro lado, as pessoas que se arriscavam a subir nos trens em movimento recebiam um pagamento informal de cerca de R$ 30 por saca retirada.
A carga original havia sido despachada de polos produtores do Centro-Oeste brasileiro e tinha como destino final o Porto de Santos, o principal corredor de exportação do agronegócio nacional. Os cinco detidos responderão inicialmente pelos crimes de integrar organização criminosa, furto qualificado e receptação, com penas aplicadas conforme o nível de atuação no esquema.
Detalhes da operação policial contra o furto de soja em CampinasO cerco policial intensificou-se na sexta-feira, aproveitando o feriado do Dia do Trabalho. Agentes do 11º DP monitoraram o deslocamento de parte da carga subtraída até uma propriedade rural localizada em Monte Mor (SP), apontada como o destino do receptador final. No local, foram presos o responsável pelo sítio e o motorista de um caminhão.
O veículo interceptado já estava carregado com cerca de 15 toneladas de soja. Em outra frente de busca no depósito temporário do grupo, os policiais recuperaram mais duas toneladas, totalizando 17 toneladas de soja recuperadas na ação.
Nesta segunda-feira, a continuidade dos mandados judiciais resultou na captura de mais dois suspeitos, incluindo o comprador direto de uma fração do lote roubado. Um dos detidos inicialmente foi liberado após passar por audiência de custódia. A Polícia Civil informou que o próximo passo dos trabalhos investigativos se concentrará na perícia de celulares e dispositivos eletrônicos apreendidos, visando mapear ramificações e identificar novos envolvidos no esquema.





