A Toyota encerra em 30 de junho as atividades da fábrica de Indaiatuba (SP), unidade que operava há 28 anos e produziu mais de 1 milhão de veículos. O fechamento marca uma nova etapa da estratégia da montadora japonesa no Brasil, que prevê investimentos de R$ 11 bilhões até 2030 e a concentração de suas operações industriais em Sorocaba, no interior paulista.
A produção do Corolla Sedan, principal modelo fabricado em Indaiatuba, já está sendo transferida para o complexo industrial de Sorocaba, processo iniciado em 2024. Segundo a empresa, a centralização das operações busca aumentar a eficiência produtiva, ampliar a integração entre as fábricas e alinhar a produção às metas globais de sustentabilidade.
A nova fábrica, prevista para entrar em operação no início de novembro, foi projetada para ampliar a capacidade produtiva da Toyota no país e preparar a companhia para a fabricação de novos veículos e tecnologias híbridas. Segundo a montadora, a unidade utilizará processos modernos de manufatura, com foco em eficiência operacional e redução de emissões.
De acordo com a Folha de S.Paulo, a ampliação do complexo industrial de Sorocaba já resultou na criação de cerca de 2 mil empregos diretos. A expectativa do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região é que o investimento também impulsione a cadeia automotiva local, com potencial para gerar aproximadamente 8 mil vagas indiretas entre fornecedores e empresas parceiras.
A empresa afirma que o processo de fechamento da unidade de Indaiatuba foi conduzido em negociação com os trabalhadores e sindicatos. Entre as alternativas oferecidas aos funcionários estão a transferência para outras fábricas do grupo e programas voluntários de desligamento.
O anúncio do encerramento das atividades provocou uma greve dos trabalhadores em 2024 e abriu negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região.
Pelo acordo firmado, os funcionários que optaram pelo desligamento receberam indenizações que incluem até 45 salários, além de pagamentos adicionais conforme o tempo de serviço, conforme a Folha de S.Paulo. Também foram garantidos benefícios como estabilidade temporária, manutenção do plano de saúde e do cartão-alimentação por até três anos após a saída da empresa.
Já os trabalhadores transferidos para Sorocaba tiveram assegurada estabilidade no emprego até julho de 2029 e incentivos financeiros para custear deslocamento ou mudança de residência.
O fechamento de Indaiatuba não é um caso isolado na estratégia da montadora. Em 2022, a Toyota anunciou o encerramento de sua fábrica de autopeças em São Bernardo do Campo (SP), primeira unidade da empresa fora do Japão, inaugurada em 1962.
Com a conclusão da transferência das operações, Sorocaba passa a concentrar as principais atividades industriais da Toyota no Brasil, tornando-se o centro da estratégia da montadora para os próximos anos. O plano de R$ 11 bilhões em investimentos até 2030 deve servir de base para a expansão da produção de veículos eletrificados e para o desenvolvimento de novas tecnologias no mercado brasileiro.





