• Sábado, 14 de fevereiro de 2026

Surto histórico de febre aftosa derruba exportações e coloca a pecuária da África do Sul em alerta

Com a doença espalhada pela maior parte do país e escassez de vacinas, produtores enfrentam surto histórico de febre aftosa, prejuízos, queda na produção e risco de impacto nos preços dos alimentos.

Com a doença espalhada pela maior parte do país e escassez de vacinas, produtores enfrentam surto histórico de febre aftosa, prejuízos, queda na produção e risco de impacto nos preços dos alimentos. A pecuária da África do Sul atravessa um dos momentos sanitários mais delicados dos últimos anos. O país enfrenta um ressurgimento agressivo e o pior surto histórico de febre aftosa, que já compromete o desempenho das exportações e aumenta a preocupação entre produtores e autoridades. Mesmo diante de uma demanda global aquecida por carne bovina, as exportações sul-africanas caíram 26% em 2025, reflexo direto das restrições comerciais e do avanço da doença. O cenário se agravou após a China — um dos principais destinos da carne do país — impor uma proibição aos produtos de carne vermelha, medida ligada ao surto considerado o pior da história recente.
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  • Surto histórico de febre aftosa: Doença já alcança quase todo o território Desde o início de 2025, a febre aftosa se espalhou por sete das nove províncias sul-africanas, evidenciando a dificuldade de contenção do vírus. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Segundo o economista agrícola Wandile Sihlobo, o país enfrenta o avanço da doença justamente em um momento crítico: não há capacidade suficiente para produzir as vacinas necessárias. O impacto comercial foi imediato. As vendas de carne bovina para a China despencaram 69%, somando apenas 1.687 toneladas após o embargo adotado em maio de 2025. Até então, os chineses representavam o terceiro maior mercado externo da África do Sul, atrás apenas dos Emirados Árabes Unidos e da Jordânia. Produtores já sentem o peso da crise No campo, os efeitos são severos. O produtor leiteiro James Kean relatou aumento de 1 milhão de rands (cerca de US$ 63 mil) em custos sazonais enquanto tentava proteger seu rebanho contra a infecção. Alguns pecuaristas chegaram a gastar, em apenas um mês, o equivalente a três anos em produtos veterinários. Além das despesas extras, a produtividade também caiu. Na fazenda de Kean, a produção diária recuou para aproximadamente 23 mil litros de leite, já que animais infectados tendem a comer menos e produzir menos. O impacto pode ir além das propriedades rurais. Há receio de que o custo econômico seja elevado e pressione toda a cadeia alimentar. Kean alertou que, se o cenário persistir, o rebanho nacional pode sustentar a demanda por apenas dois anos, o que inevitavelmente elevaria os preços dos alimentos. Vacina chega após duas décadas Em resposta à crise, o governo lançou em 6 de fevereiro a primeira vacina contra febre aftosa produzida no país em 20 anos, numa tentativa de reduzir a escassez de doses. Atualmente, a maior parte das vacinas ainda precisa ser importada de países como Botsuana, Turquia e Argentina. Com um rebanho estimado em 12 milhões de cabeças, a África do Sul enfrenta agora o desafio de conter rapidamente a doença para evitar danos ainda maiores à sua pecuária e à segurança alimentar.
    Por: Redação

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