Sete países emitiram um comunicado conjunto nesta 5ª feira (19.mar.2026) condenando ofensivas do Irã contra instalações energéticas no Golfo Pérsico. Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão divulgaram uma declaração pedindo também que a República Islâmica cesse ameaças a embarcações no estreito de Ormuz. Depois da publicação do comunicado, o Canadá aderiu à declaração.
O grupo manifestou “disposição” em contribuir com “esforços apropriados” para assegurar a navegação pelo estreito por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no planeta.
A declaração conjunta das 7 nações afirma que “a liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional, inclusive no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar”.
Com o fechamento do estreito de Ormuz, decorrente da guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo disparou, ultrapassando US$ 100 por barril. O preço do gás natural nos mercados europeus também subiu, marcando alta de 35% nas primeiras horas de 5ª feira (19.mar).
Israel bombardeou na 4ª feira (18.mar.2026) o campo de gás South Pars, reserva compartilhada entre Irã e Qatar que constitui o maior campo de exploração de gás natural do mundo. Em resposta, o Irã atacou o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito Ras Laffan, situado no Qatar. A estatal QatarEnergy informou “danos extensos”.
Leia a íntegra do comunicado:
“Declaração conjunta dos líderes do Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Japão e Canadá sobre o Estreito de Ormuz: 19 de março de 2026.
“Condenamos veementemente os recentes ataques do Irã contra embarcações comerciais desarmadas no Golfo, os ataques contra infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás, e o fechamento de facto do Estreito de Ormuz pelas forças iranianas.
“Expressamos nossa profunda preocupação com a escalada do conflito. Exigimos que o Irã cesse imediatamente suas ameaças, o lançamento de minas, os ataques com drones e mísseis e outras tentativas de bloquear o Estreito à navegação comercial, e que cumpra a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU.
“A liberdade de navegação é um princípio fundamental do direito internacional, inclusive no âmbito da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
“Os efeitos das ações do Irã serão sentidos por pessoas em todas as partes do mundo, especialmente pelas mais vulneráveis.
“Em consonância com a Resolução 2817 do Conselho de Segurança da ONU, enfatizamos que tal interferência no transporte marítimo internacional e a interrupção das cadeias globais de abastecimento de energia constituem uma ameaça à paz e à segurança internacionais. Nesse sentido, apelamos a uma moratória imediata e abrangente sobre ataques a infraestruturas civis, incluindo instalações de petróleo e gás.
“Manifestamos nossa disposição em contribuir com os esforços necessários para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se empenhando no planejamento preparatório.
“Acolhemos com satisfação a decisão da Agência Internacional de Energia de autorizar a liberação coordenada de reservas estratégicas de petróleo. Tomaremos outras medidas para estabilizar os mercados de energia, incluindo a colaboração com certos países produtores para aumentar a produção.
“Também trabalharemos para fornecer apoio às nações mais afetadas, inclusive por meio das Nações Unidas e das IFIs (Instituições Financeiras Internacionais).
“A segurança marítima e a liberdade de navegação beneficiam todos os países. Apelamos a todos os Estados para que respeitem o direito internacional e defendam os princípios fundamentais da prosperidade e da segurança internacionais.”





