O atual presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu com críticas ao indiciamento do ex-presidente Raúl Castro pelos Estados Unidos e classificou a medida como uma iniciativa política destinada a aumentar a pressão sobre o governo cubano.
Em publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (20), Díaz-Canel afirmou que o processo não possui fundamento jurídico e teria como objetivo construir justificativas para ações mais duras contra a ilha.
Segundo o presidente cubano, o episódio que originou as acusações ocorreu dentro do exercício da soberania nacional. O posicionamento foi uma resposta direta ao anúncio do governo americano de que Raúl Castro foi formalmente acusado por assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronave pela derrubada de dois aviões civis em 1996. Na época, Raúl era ministro da Defesa de Cuba.
La pretendida acusación contra el General de Ejército Raúl Castro Ruz, que acaba de comunicar el Gobierno estadounidense, solo evidencia la soberbia y la frustración que le provoca a los representantes del imperio, la inquebrantable firmeza de la Revolución Cubana y la unidad y… pic.twitter.com/0r0wV0kUX9
— Miguel Díaz-Canel Bermúdez (@DiazCanelB) May 20, 2026
Na manifestação pública, Díaz-Canel sustentou que Cuba teria atuado em legítima defesa dentro de suas águas jurisdicionais. A interpretação cubana diverge da versão defendida há décadas pelos Estados Unidos e por integrantes da comunidade cubana exilada, que afirmam que as aeronaves abatidas estavam em espaço internacional.
O caso envolve a organização “Hermanos al Rescate”, grupo formado por opositores do governo cubano e que realizava missões relacionadas ao auxílio de migrantes que tentavam deixar a ilha. Em 24 de fevereiro de 1996, dois aviões da organização foram interceptados e destruídos por aeronaves militares cubanas. Na ocasião, quatro pessoas morreram e uma terceira aeronave conseguiu escapar.
A resposta de Díaz-Canel aconteceu horas depois de novas declarações do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Em mensagem direcionada aos cubanos, Rubio afirmou que o governo Trump estaria disposto a estabelecer uma nova relação com a população da ilha, mas não com sua atual liderança política.
Durante o pronunciamento, o secretário acusou os dirigentes cubanos de desvio de recursos, corrupção e enriquecimento enquanto o país enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história recente.
Rubio também afirmou que o grupo empresarial Gaesa, ligado às Forças Armadas cubanas e associado historicamente ao período de influência de Raúl Castro, concentra receitas superiores ao orçamento estatal. Além disso, reafirmou uma proposta americana de envio de ajuda humanitária de US$100 milhões em alimentos e medicamentos.





