O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom nesta segunda-feira (25) ao afirmar que as negociações com o Irã resultarão em um acordo excelente e significativo ou, caso contrário, não haverá acordo algum.
Em publicação matinal na rede Truth Social, o republicano buscou distanciar as tratativas atuais daquelas conduzidas pelo ex-presidente Barack Obama, classificando o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015 como um "desastre" que representava um caminho direto para o Irã obter armas nucleares.
Trump garantiu que o novo texto, ainda não divulgado, será exatamente o oposto do modelo anterior, do qual ele próprio retirou os EUA em 2018 por considerá-lo defeituoso — decisão que, na época, levou Teerã a intensificar a produção de urânio altamente enriquecido.
O tratado original de Obama visava cortar os caminhos do país persa rumo ao armamento atômico por meio de verificações rigorosas e constantes.
Apesar do teto elevado por Trump no sábado (23), quando declarou que Washington e Teerã já haviam negociado em grande parte um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz, ambos os países minimizaram nesta segunda-feira as expectativas de um avanço iminente para encerrar a guerra que assola a região há três anos.
O principal diplomata americano reforçou a postura de Ottawa ao declarar que a Casa Branca conseguirá um bom acordo ou negociará com o país asiático de outra maneira. O otimismo também é freado por divergências complexas que persistem entre as partes, incluindo as ambições nucleares iranianas, a guerra de Israel no Líbano contra o grupo Hezbollah — apoiado por Teerã —, as exigências pelo fim das sanções econômicas e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas em bancos estrangeiros.
No centro da disputa comercial e logística está o Estreito de Ormuz, via que antes do conflito respondia por um quinto das remessas globais de petróleo e gás natural liquefeito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta segunda-feira que o país não cobrará pedágio pela passagem no local, embora tenha ressaltado ser normal que os serviços prestados tenham um preço.
Por outro lado, um alto funcionário do governo Trump, falando sob condição de anonimato, detalhou os contornos mais recentes das negociações, revelando que o Irã concordou em princípio em abrir o estreito em troca do levantamento do bloqueio naval dos Estados Unidos e da entrega de seu estoque de urânio altamente enriquecido. De acordo com a fonte, Washington entende que o líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, já endossou o esboço geral do acordo.
A mesma autoridade rebateu rumores de que o Irã resistiria a abrir mão de seu combustível nuclear, sinalizando que o debate atual se resume a como esse processo será executado. Paralelamente, fontes iranianas informaram à agência "Reuters" que formulas viáveis podem ser encontradas em etapas futuras para resolver o impasse do urânio enriquecido, o que inclui a diluição do material sob a supervisão da agência nuclear da ONU.
Um segundo funcionário do alto escalão americano confirmou no domingo (24) que a estrutura proposta prevê um prazo de 60 dias para que os negociadores cheguem a um veredito e assinem o acordo final.
Com informações de CNN Brasil





