A missão Artemis 2 completou o seu 1º dia com uma sequência intensa de testes, ajustes técnicos e preparação da tripulação para os próximos passos rumo à Lua. Nas primeiras horas após o lançamento, que foi realizado na 4ª feira (1º.abr.2026), a nave Orion executou manobras essenciais para estabilizar a órbita, enfrentou pequenas intercorrências de comunicação e passou por ajustes em sistemas internos, incluindo o sanitário a bordo, que foi normalizado ainda durante o voo.
Cerca de 50 minutos depois de atingir a órbita, o estágio superior do foguete SLS realizou a 1ª queima para elevar a trajetória da cápsula. Inicialmente em uma órbita instável, a nave teve o ponto mais baixo corrigido para cerca de 185 quilômetros de altitude, garantindo segurança em relação à atmosfera terrestre. Uma 2ª queima ampliou ainda mais a distância, levando o ponto mais alto a mais de 69.200 km da Terra.
Pouco depois, durante a troca programada entre satélites, houve uma falha parcial nas comunicações. A tripulação conseguia ouvir o controle da missão, mas não conseguia responder por um breve período. O sistema foi restabelecido rapidamente, segundo a Nasa.
Já estabilizada, a missão avançou para um dos testes centrais do dia: a condução manual da Orion. Os astronautas realizaram a chamada Proximity Operations Demonstration, aproximando a cápsula do estágio ICPS –que havia impulsionado o voo– para simular manobras de acoplamento. O piloto Victor Glover liderou a operação, conduzindo a nave a distâncias de até 10 metros do alvo. Ao final, celebrou a execução com uma mensagem ao controle em Houston.
Entre os ajustes técnicos monitorados, equipes em solo acompanharam uma falha inicial no sistema de sanitário. O problema foi resolvido após testes conduzidos pela astronauta Christina Koch, garantindo o funcionamento do equipamento para os próximos dias da missão.
Cerca de 5 horas após o lançamento, pequenos satélites acoplados à missão começaram a ser liberados no espaço. Os chamados cubesats, enviados por países como Alemanha, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Argentina, têm a função de estudar radiação, clima espacial e impactos em componentes eletrônicos —dados considerados estratégicos para futuras viagens à Lua.
Com mais de 7 horas de missão, a tripulação iniciou o período de descanso. Antes disso, os astronautas trocaram os trajes de lançamento por roupas mais confortáveis, resolveram ajustes em equipamentos digitais e organizaram a cabine. O descanso será dividido em ciclos curtos, intercalados com novas manobras orbitais e avaliações médicas diárias.
Segundo a Nasa, o 1º dia da Artemis 2 cumpriu os principais objetivos previstos para essa fase inicial. A missão, que deve durar cerca de 10 dias, ainda terá como marco principal a viagem ao redor da Lua antes do retorno à Terra.
Veja as imagens do lançamento da Artemis 2 divulgadas pela Nasa:
Assista ao momento do lançamento (3min45s):
A ida de humanos à Lua começou com a Apollo 11, em 1969, quando astronautas norte-americanos pousaram pela 1ª vez na superfície lunar. Ao todo, 6 missões do programa Apollo realizaram pousos até 1972. Desde então, nenhum país enviou novamente astronautas à órbita lunar.
O hiato de mais de 5 décadas se explica por fatores como o alto custo das missões, a mudança de prioridades da política espacial dos Estados Unidos e o fim da corrida espacial com a União Soviética, conforme análises recorrentes da própria Nasa e de especialistas do setor. Sem a pressão geopolítica e com orçamentos mais restritos, o foco passou a ser a órbita terrestre e projetos como a Estação Espacial Internacional.
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