O Fundecitrus divulgou nesta sexta-feira (10) o balanço final da safra de laranja 2025/26 para o cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro. A produção fechou em 292,94 milhões de caixas (de 40,8 kg cada), volume que representa uma recuperação de 26,9% em relação ao ciclo anterior, mas fica 6,9% abaixo da projeção inicial feita em maio de 2025.
O resultado final mostra estabilidade frente à reestimativa de fevereiro, com as chuvas do início deste ano e o aumento na queda de frutos das variedades tardias.
O recuo em relação à expectativa inicial de 314,60 milhões de caixas é atribuído a uma combinação de fatores climáticos e fitossanitários. O déficit hídrico e a alta incidência de greening foram os principais responsáveis pela redução do peso dos frutos e pelo aumento da taxa de queda.
De acordo com dados da Climatempo, choveu em média 1.135 milímetros no cinturão entre maio de 2025 e março de 2026 — um volume 13% inferior à média histórica. As regiões mais afetadas foram o Triângulo Mineiro e Altinópolis, com chuvas 30% abaixo da média, enquanto o setor Sul (Porto Ferreira e Limeira) foi o único a registrar índices acima da série histórica.
O Greening, inicialmente chamado de “doença do ramo amarelo”, e posteriomente huanglonbing (HBL), 'doença do dragão amarelo', é considerada a doença dos citros - laranja, tangerina e limão - mais grave, em função da dificuldade de controle, da rápida disseminação e por ser altamente destrutiva.
O Greening é transmitido por um vetor, um psilídeo - inseto espécie de mini-cigarra de cerca de três milímetros. A bactéria ataca os vasos principais da planta e, por isso, se distribui muito rápido. Assim, a poda não é suficiente para que o vegetal sobreviva.
Os sintomas surgem com mais rapidez na tangerina. Mas também há prejuízos severos nas lavouras de limão e laranja.
Nas lavouras onde é detectada a doença, é obrigatório eliminar as plantas que testaram positivo em amostras enviadas a laboratórios credenciados pelo Estado. O processo precisa ser realizado com a presença de representantes de órgãos de defesa vegetal.
O ritmo tardio da colheita permitiu que cerca de 25% dos frutos das variedades Valência, Folha Murcha e Natal recebessem as chuvas do início de 2026. Esse fator favoreceu um leve aumento no peso dos frutos em comparação aos dados de fevereiro. No balanço final, foram necessários 266 frutos para compor uma caixa de 40,8 kg, contra os 258 previstos inicialmente.
Por outro lado, o tempo prolongado de exposição no campo elevou a taxa de queda, especialmente nas variedades tardias:
Ao todo, a perda de produção por queda prematura somou 88,49 milhões de caixas. O greening continua sendo o principal vilão, sendo responsável por mais da metade dessa perda (49,59 milhões de caixas).
O setor agora volta as atenções para o ciclo 2026/27. O Fundecitrus anunciará a nova estimativa e o Inventário de Árvores no dia 8 de maio às 10h, em evento presencial com transmissão ao vivo. A Pesquisa de Estimativa de Safra (PES) segue sendo realizada em parceria com o professor José Carlos Barbosa, da FCAV/Unesp.





