Em uma viagem histórica aos Estados Unidos, o rei Charles III da Inglaterra discursou, nesta terça-feira (28), no Congreso dos EUA, em Washington. O monarca e a mulher dele, rainha Camilla, realizam uma visita de Estado, em um momento em que os países vivem sob tensão.
Durante a fala, Charles III citou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) — cujo países-membros são alvos de críticas do presidente norte-americano, Donald Trump — falou sobre "promover a paz" e demonstrou interesse em reforçar os laços entre os Estados Unidos e Reino Unido. As menções à Otan podem ser interpretadas como um sinal de reprovação a forma como Trump intervém em questões internacionais sozinho.
"O compromisso e a experiência das Forças Armadas dos Estados Unidos e seus aliados estão no cerne da Otan, comprometidos com a defesa mútua, protegendo nossos cidadãos e interesses, mantendo norte-americanos e europeus a salvo de nossos adversários comuns. Nossos laços de defesa, inteligência e segurança estão intrinsecamente ligados por meio de relações medidas não em anos, mas em décadas", disse Charles III.
O monarca ainda citou a Ucrânia: "Imediatamente após o 11 de setembro, quando a Otan invocou o Artigo 5 pela primeira vez e o Conselho de Segurança das Nações Unidas se uniu diante do terror, respondemos juntos ao chamado", disse. "Hoje, essa mesma determinação inabalável é necessária para a defesa da Ucrânia e de seu povo corajoso, a fim de garantir uma paz verdadeiramente justa e duradoura", completou o monarca.
Aplaudido diversas vezes durante o discurso, o rei da Inglaterra reforçou sobre a união entre os dois países e a importância de defender os valores democráticos. "A nossa é uma parceria que nasceu da disputa, mas nem por isso é menos forte. Portanto, podemos discernir que as nossas nações são, na verdade, instintivamente semelhantes em termos de mentalidade, um produto das tradições democráticas, jurídicas e sociais comuns em que a nossa governança está enraizada até hoje".
A visita de Estado de rei Charles III e rainha Camilla acontece em um momento de tensão entre os países. A viagem — que marca os 250 anos da independência dos Estados Unidos — estava planejada para acontecer antes do início da guerra no Oriente Médio, envolvendo os EUA, Israel e Irã.
Após o discurso no Congresso, Charles III e Camilla seguem para um banquete oficial. Na quarta-feira (29), eles vão para Nova York prestar homenagem às vítimas do atentado de 11 de setembro e participam de um evento com representantes das indústrias criativas. Por fim, na quinta-feira (30), o casal vai para o estado da Virgínia em celebração pelos 250 anos da independência do país.
Donald Trump mantém uma relação tensa com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, desde o início do conflito no Oriente Médio, criticando-o pelo apoio tímido aos Estados Unidos, país aliado. "Não estamos lidando com Winston Churchill", disse Trump no início de março, expressando seu "descontentamento" com o Reino Unido, que inicialmente negou aos EUA acesso às suas bases militares.
Uma pesquisa da YouGov aponta que quase metade dos britânicos (49%) se opõe à visita. Vários membros do Parlamento britânico também se manifestaram contra a viagem. É o caso do líder do Partido Liberal Democrata, Ed Davey, que argumentou que esta honra "não deveria ser concedida a alguém que insulta e prejudica" o Reino Unido "repetidamente".





