• Quinta-feira, 28 de maio de 2026

Raízen apresenta plano a credores e propõe cisão das operações até 2027

Com passivo de R$ 65 bilhões, proposta de recuperação extrajudicial prevê aportes bilionários de acionistas e a separação dos negócios de bioenergia e distribuição

Em um movimento decisivo para equacionar um passivo bilionário e reestruturar sua operação, a Raízen apresenta plano a credores com foco na negociação de dívidas que atingem o patamar de R$ 65 bilhões. A companhia, uma consolidada joint venture entre a Cosan e a Shell, tornou públicos nesta quarta-feira (27) os documentos e projeções compartilhados com credores financeiros quirografários (aqueles sem garantia real).

O objetivo vai além de um respiro no caixa: a estratégia de recuperação extrajudicial propõe uma reestruturação profunda que culminará na separação da empresa em duas unidades corporativas distintas até o ano de 2027.

Detalhes de como a Raízen apresenta plano a credores

A base da proposta de recuperação extrajudicial, que segue em fase de debates, apoia-se em pesados compromissos financeiros por parte dos acionistas e na remodelação do passivo. A arquitetura financeira da reestruturação sugere:

  • Aportes de Capital: Uma injeção de pelo menos R$ 3,5 bilhões garantida pela Shell, acompanhada de um potencial aporte adicional de R$ 500 milhões estruturado pelo fundo Aguassanta (o family office de Rubens Ometto, nome forte por trás da Cosan).
  • Conversão de Dívidas: A conversão direta de 45% do saldo devedor em ações da própria companhia.
  • Reperfilamento: Os 55% restantes do montante da dívida passariam por um reperfilamento por meio da emissão de novos instrumentos financeiros.
  • A cisão das operações: Foco em Energia e Combustíveis

    Um dos movimentos corporativos mais ambiciosos do documento onde a Raízen apresenta plano a credores é a reorganização societária. O projeto desenha a total separação de seus ativos, dividindo a atual gigante em duas empresas autônomas e focadas em seus respectivos core businesses até 2027:

  • Raízen Energia: Operação com dedicação exclusiva aos ativos produtivos do agronegócio e bioenergia, englobando a produção de açúcar, etanol e soluções voltadas para a transição energética.
  • Raízen Combustíveis: Unidade que manterá o foco estrito na distribuição e logística de combustíveis tradicionais e lubrificantes.
  • Alternativas de pagamento e tramitação judicial

    Para credores que buscam saídas alternativas à conversão de ações ou ao reperfilamento principal, o plano delineou opções mais enxutas. Há a possibilidade de liquidação à vista exclusiva para pequenos credores. Para os demais, existe a opção de um pagamento em parcela única, estipulada para 31 de março de 2047, porém, com um desconto severo de 80% sobre o valor de face do crédito.

    A diretoria ressaltou que, se a aprovação junto ao conselho de credores e a posterior homologação na Justiça ocorrerem até a data-limite de 8 de junho, o plano entrará em execução imediata e de forma escalonada.

    Transparência e status das negociações

    A documentação liberada pela companhia nesta quarta-feira fornece um panorama minucioso sobre o desempenho operacional e financeiro da joint venture, além de projeções voltadas unicamente para nortear as rodadas de negociação.

    É fundamental ressaltar que a companhia enfatiza o caráter provisório do estágio atual. Até este momento, não foram assinados documentos vinculativos ou definitivos sobre os moldes econômicos apresentados. As condições sob as quais a Raízen apresenta plano a credores seguem passíveis de alterações relevantes, a depender das tratativas bilaterais, da chancela dos envolvidos e da aprovação dos órgãos competentes. A abertura destes dados atende às obrigações legais de transparência exigidas durante processos de reestruturação de dívidas desta magnitude.

    Por: Redação

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