• Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Qual o futuro da candidatura Flávio Bolsonaro?

Meio empresarial passa a olhar para alternativa. Romeu Zema ganha impulso. Jair Bolsonaro diz a filho para seguir firme. Flávio garante à campanha que não haverá novas surpresas

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não havia informado à sua campanha política que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, - o Azarão em tradução livre. Os coordenadores políticos e da comunicação da campanha de Flávio Bolsonaro foram pegos de surpresa com o vazamento dos áudios. O que se viu nas primeiras horas foi um tsunami de desencontros de versões e falta de coordenação. Vorcaro repassou, por meio de uma agência intermediária os cerca de R$ 62 milhões para a produção do filme que promove o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com orçamento estimado em R$ 134 milhões. O lançamento está previsto para 11 de setembro, poucas semanas antes das eleições de 4 Outubro. Com o ator principal Jim Caviezel, o mesmo que fez a Paixão de Cristo em 2004, o roteiro tenta associar Bolsonaro a uma figura divina. A Polícia Federal rastreia neste momento o caminho do dinheiro. E também apura se há emendas parlamentares e recursos públicos envolvidos na produção.

Os áudios trazem desgaste à imagem de Flávio Bolsonaro, isso aliados reconhecem. No meio empresarial algumas lideranças buscam alternativa no campo da direita e olham principalmente para Romeu Zema (Novo) e também Ronaldo Caiado (PSD) como possibilidades para aposta. Entre lideranças evangélicas, que já preferiam o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), há ainda mais cautela. No meio político, Michelle Bolsonaro chegou a ser cogitada como alternativa, mas Jair Bolsonaro reiterou ao filho Flávio que ele seguirá candidato. Antes de lançar Flávio, Jair Bolsonaro trabalhou para impedir que a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo se viabilizasse, porque para ele é mais importante manter o controle do campo da direita dentro da família do que construir uma alternativa mais competitiva para enfrentar o presidente Lula (PT).

Flávio Bolsonaro segue na disputa, apostando que a crise vai ser estancada e garantindo a aliados que não precisam ficar inseguros, porque não haverá novas surpresas. Na coordenação da campanha de Flávio Bolsonaro, as narrativas foram ajustadas: o senador diz que o áudio trata de um "filho procurando patrocínio privado" para o filme do pai, com recursos “privados”. Assim como os integrantes do campo bolsonarista, Flávio Bolsonaro veio a público pedir a CPMI do Banco Master. No campo lulista, a CPMI do Master também está sendo reivindicada. Oposição e governo pedem a CPMI do Master. E quanto mais abrangente a chance de uma investigação atingir o sistema político, menos provável que ela ocorra. Será que sai? A conferir.

Por: ITATIAIA

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