• Quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Primeira bezerra Girolando com genética brasileira nasce na Nigéria

Nascimento da primeira bezerra Girolando na Nigéria, marca resultado concreto da abertura de mercado para exportação de genética bovina e sinaliza nova fase da pecuária leiteira no país africano

Nascimento da primeira bezerra Girolando na Nigéria, marca resultado concreto da abertura de mercado para exportação de genética bovina e sinaliza nova fase da pecuária leiteira no país africano A pecuária leiteira da Nigéria entrou oficialmente em uma nova etapa com o nascimento da primeira bezerra da raça Girolando gerada a partir de embriões brasileiros, resultado direto da abertura de mercado para exportação de genética bovina promovida pelo Brasil. O nascimento ocorreu no centro produtivo da Harmony Farms, no estado de Ogun, e é considerado um marco estratégico para o desenvolvimento da produção de leite no país africano. Mais do que um feito técnico isolado, o nascimento da bezerra representa um resultado concreto da política brasileira de expansão internacional do agronegócio, que passou a incluir a exportação de embriões bovinos e bubalinos, tanto in vivo quanto in vitro, como parte de sua estratégia de inserção global.
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  • Vaca da raça Girolando bate recorde ao produzir mais de 343 litros de leite em apenas três dias
    Abertura de mercado transforma genética em ativo de exportação Desde o início de 2025, o Brasil está oficialmente autorizado a exportar embriões bovinos e bubalinos para a Nigéria, conforme acordos sanitários firmados entre os dois países. A medida integra a política de abertura de mercados conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, que busca ampliar a presença brasileira não apenas na exportação de alimentos, mas também de genética, biotecnologia e conhecimento agropecuário. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});O próprio material institucional que acompanha a iniciativa resume o movimento com uma mensagem direta: “Abertura de mercado gera oportunidades — e algumas delas já nascem em outros países.” A bezerra Girolando nascida em solo nigeriano se tornou, assim, a materialização prática dessa estratégia. Tecnologia brasileira aplicada ao clima africano O animal integra um programa estruturado de melhoramento genético conduzido pela Silagreen International Agro Development Limited, empresa nigeriana de biotecnologia agropecuária. O projeto utiliza tecnologia brasileira de transferência de embriões para acelerar a formação de rebanhos leiteiros mais produtivos e adaptados ao clima tropical. O diretor-executivo da Silagreen, Michael Akinruli, destacou que o nascimento representa um divisor de águas para o setor. “Estamos entrando em uma nova era da produtividade leiteira na Nigéria. Essa inovação tem potencial para fortalecer a renda dos produtores, gerar segurança econômica para famílias rurais e impulsionar comunidades agrícolas inteiras”, afirmou. A base genética escolhida foi o Girolando, raça desenvolvida no Brasil a partir do cruzamento entre Holandês (Holstein) e Gir Leiteiro, reconhecida mundialmente pela combinação entre alta produção de leite, tolerância ao calor e robustez sanitária — atributos considerados essenciais para sistemas produtivos em regiões tropicais como a Nigéria. Segundo Akinruli, a tecnologia adotada permite acelerar um processo que, de forma convencional, levaria décadas. “Com a transferência de embriões, conseguimos construir rebanhos de elite em uma única geração, algo que antes exigia muito tempo, seleção gradual e altos investimentos”, explicou. Potencial produtivo e impacto econômico De acordo com a Silagreen, os animais oriundos do programa apresentam potencial produtivo estimado entre 30 e 50 litros de leite por dia quando atingirem a maturidade, desempenho significativamente superior à média observada nos rebanhos locais. “Esse bezerro não é apenas um símbolo científico. Ele representa um ativo real para o futuro da pecuária leiteira nigeriana”, destacou Akinruli. “A raça Girolando reúne exatamente as características que o nosso país precisa para avançar em produtividade e eficiência.” Além do ganho produtivo, a genética adaptada ao ambiente tropical tende a resultar em menores taxas de mortalidade, melhor sanidade do rebanho e redução dos custos veterinários, ampliando a sustentabilidade econômica dos sistemas leiteiros. Brasil e Nigéria: relação comercial em expansão O avanço da genética bovina brasileira na Nigéria ocorre em um contexto de forte relação comercial entre os dois países. Com mais de 223 milhões de habitantes, a Nigéria é uma das maiores economias da África e um mercado estratégico para o agronegócio brasileiro. Somente em 2025, o país africano importou mais de US$ 774 milhões em produtos agropecuários brasileiros, o que evidencia a relevância do Brasil como fornecedor e reforça o potencial de expansão para produtos de maior valor agregado, como genética animal. Nesse cenário, a exportação de embriões representa um novo patamar na relação bilateral, ao levar não apenas alimentos, mas capacidade produtiva e tecnologia para dentro do território nigeriano. Expansão do programa e novos nascimentos até 2026 O nascimento da primeira bezerra marca apenas a fase inicial do projeto. Segundo a Silagreen, outros bezerros gerados por transferência de embriões já são esperados até março de 2026, formando um núcleo planejado de animais de alto valor genético. A empresa informou que já iniciou articulações com produtores rurais, governos estaduais, órgãos federais e instituições financeiras para viabilizar a ampliação do programa em escala nacional. “Escalar esse sucesso exige colaboração. Estamos dialogando com diferentes esferas do poder público e com o setor financeiro para criar modelos de financiamento, políticas de apoio e marcos regulatórios que permitam a adoção ampla dessa tecnologia”, explicou Akinruli. Primeira bezerra Girolando nasce na Nigéria: Segurança alimentar e redução da dependência externa O presidente do conselho da Silagreen, Dr. Amos Ayodele, ressaltou que a iniciativa está alinhada aos objetivos nacionais de segurança alimentar, substituição de importações e diversificação econômica. “As importações de leite continuam drenando recursos importantes do país. Esse programa oferece um caminho claro, baseado em ciência e tecnologia, para aumentar a produção local e reduzir essa dependência externa”, afirmou. Segundo Ayodele, além do impacto direto na produção, o projeto deve estimular a geração de empregos ao longo de toda a cadeia do leite, promover transferência de tecnologia e contribuir para a formação de mão de obra qualificada em biotecnologia agropecuária. Brasil consolida protagonismo em genética Girolando
    Por: Redação

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