A consolidação da olivicultura nacional no cenário de alta gastronomia global ganhou um novo e importante capítulo. O azeite orgânico brasileiro Bene, produzido na Fazenda São Benedito, em Bom Sucesso de Itararé (SP), conquistou o prestigiado prêmio “Blend Gold Award” na edição de 2026 da Anatolian International Olive Oil Competition, realizada na Turquia.
O certame, reconhecido como um dos mais rigorosos palcos de avaliação de azeites de oliva extravirgem do mundo, consagrou a marca paulista como a única representante do Brasil a subir ao pódio nesta edição, evidenciando o avanço técnico e qualitativo do agronegócio sustentável do país.
O avanço do azeite orgânico brasileiro no mercado internacionalO reconhecimento em território turco, uma das regiões de maior tradição milenar na produção de oliveiras, não é um fato isolado, mas o ápice de uma estratégia de internacionalização consistente. Conforme dados oficiais divulgados pela liderança da empresa, o azeite orgânico brasileiro Bene já vinha desenhando uma trajetória de excelência no exterior: na safra anterior, o produto faturou seis medalhas de ouro em competições de alta exigência técnica na Grécia, em Portugal e na Argentina.
A base para a chancela de qualidade internacional começou a ser desenhada formalmente em 2018, quando a fazenda obteve a certificação oficial do IBD (Instituto Biodinâmico). O IBD é a maior certificadora de produtos orgânicos da América Latina e desempenha um papel crucial ao auditar não apenas a ausência de químicos, mas toda a rastreabilidade e o impacto socioambiental da cadeia produtiva.
| Indicador Técnico | Detalhes da Produção Bene |
| Localização | Bom Sucesso de Itararé (SP) |
| Certificação Principal | IBD Orgânico (Desde 2018) |
| Variedades Cultivadas | Arbequina, Arbosana e Koroneiki |
| Premiação Recente (2026) | Blend Gold Award (Turquia) |
| Destaque de Mercado | Único azeite brasileiro premiado no certame turco |
A transição para o modelo 100% livre de agrotóxicos exige resiliência e quebra de paradigmas no campo. O projeto da Fazenda São Benedito teve início há duas décadas, quando o empresário Nelson Jorge, fundador da propriedade, decidiu romper com o manejo agrícola convencional. A virada de chave ocorreu após o produtor testemunhar diretamente os efeitos nocivos e os desequilíbrios ecológicos provocados pelo uso sistemático de pesticidas sintéticos na região.
Atualmente, a lavoura baseia-se em conceitos profundos de agricultura regenerativa e biológica. Em vez de focar apenas na eliminação de pragas, o manejo foca na saúde do ecossistema como um todo:
Os anos de experimentação e erros controlados culminaram em um modelo de negócios altamente replicável e lucrativo. Especialistas do setor de agronegócio apontam que a olivicultura paulista tem se destacado exatamente pela capacidade de agregar valor por meio da sustentabilidade, criando uma barreira de diferenciação contra os azeites importados em massa de grandes indústrias europeias.
“Esse prêmio reforça a viabilidade da ideia do empreendedor em um negócio novo, uma vez que fomos pioneiros na região. Foram anos de adaptação e aprendizagem para atingir esse resultado”, destacou em nota oficial Nelson Jorge, fundador da Fazenda São Benedito, da La Naturelle e sócio da Souvie Orgânica.
Preço acessível no segmento premiumO grande gargalo dos produtos certificados internacionalmente costuma ser o preço final ao consumidor, frequentemente restrito às classes de altíssimo poder aquisitivo. No entanto, a marca adota uma política de posicionamento de mercado focada na democratização do acesso a alimentos saudáveis no Brasil.
Para contornar as margens agressivas do varejo físico tradicional, a empresa estruturou sua operação comercial baseada em canais de venda direta online (D2C – Direct to Consumer). Essa estratégia logística permitiu estabelecer preços de lançamento consideravelmente abaixo da média do mercado premium nacional: a versão de 250 ml é comercializada a R$ 30, enquanto a garrafa de 500 ml sai por R$ 55. O modelo prova que a sustentabilidade no campo e o reconhecimento internacional podem caminhar alinhados à viabilidade econômica para o consumidor final.





