• Segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Pó de tabaco vira fertilizante orgânico e deve abastecer safra 2025/26

Biotecnologia transforma resíduo industrial - pó de tabaco - em insumo agrícola certificado, fortalece a economia circular e amplia a sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco

Biotecnologia transforma resíduo industrial – pó de tabaco – em insumo agrícola certificado, fortalece a economia circular e amplia a sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco A agricultura brasileira tem avançado em soluções sustentáveis capazes de unir produtividade e responsabilidade ambiental — e um dos exemplos mais recentes vem da cadeia do tabaco. O resíduo gerado durante o processamento das folhas, conhecido como pó de tabaco, está sendo totalmente reaproveitado na forma de fertilizante orgânico, em um movimento que reforça o conceito de economia circular e reduz impactos ambientais. Para a safra 2025/26, cerca de 23 mil toneladas do fertilizante reciclado devem ser utilizadas nas lavouras, resultado de um sistema estruturado pelas empresas associadas ao Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco).
  • Clique aqui para seguir o canal do CompreRural no Whatsapp
  • A iniciativa demonstra como a inovação tecnológica pode transformar descartes industriais em insumos estratégicos, retornando às propriedades rurais e contribuindo diretamente para o aumento da produtividade agrícola. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Economia circular ganha força no campo O fertilizante — comercialmente chamado de Fertileaf — é produzido pela Fundação para Proteção Ambiental de Santa Cruz do Sul (Fupasc) e possui registro no Ministério da Agricultura e Pecuária, além de certificação da Ecocert para uso na produção orgânica. Após o processamento, o produto retorna às unidades industriais e é distribuído aos produtores por meio do Sistema Integrado de Produção de Tabaco (SIPT), fortalecendo a lógica de reaproveitamento dentro da própria cadeia produtiva. O modelo garante que 100% do pó de tabaco seja reutilizado como fertilizante, gerando ganhos ambientais e econômicos ao setor. Escala crescente e avanço da reciclagem Os números evidenciam a expansão do projeto ao longo dos anos. Entre 2014 e 2025, foram produzidas mais de 175 mil toneladas de fertilizante orgânico, sendo que o programa começou com o processamento de apenas 5.375 toneladas do resíduo. Já no intervalo de 2020 a 2025, a produção registrou crescimento de 56,5%, saltando de 14.692 toneladas para aproximadamente 22.992 toneladas — volume que agora deve atender diretamente as lavouras da nova safra. Esse avanço ocorreu à medida que mais unidades industriais passaram a direcionar integralmente o pó de tabaco para a transformação em adubo.
    Foto: Divulgação/Fertileaf
    Como o fertilizante é produzido O processo combina tecnologia, controle ambiental e biotecnologia. Para a fabricação do Fertileaf, o pó de tabaco recebe cerca de 3% de cinzas de caldeiras à lenha, além de um consórcio de micro-organismos responsáveis por acelerar a fermentação e estabilização do material. A compostagem ocorre em área totalmente coberta, por meio de um sistema de fermentação em estado sólido — um ciclo fechado que não gera resíduos líquidos. O processo inclui ainda:
  • Monitoramento diário da temperatura das pilhas de maturação;
  • Ensaios de germinação para verificar a eficiência do composto;
  • Maturação entre 90 e 120 dias até que o produto esteja pronto para uso.
  • Além disso, a produção opera com 100% de energia proveniente de usina solar própria e utiliza exclusivamente água de reuso, reforçando o compromisso ambiental da iniciativa. Duas décadas de pesquisa sustentam a tecnologia Segundo o SindiTabaco, o Fertileaf é resultado de aproximadamente 20 anos de pesquisas e experimentos, que permitiram o desenvolvimento da biotecnologia e da estrutura adequada para compostagem dos resíduos do setor fumageiro. Esse histórico ajuda a explicar por que o fertilizante hoje atende normas brasileiras e internacionais para produção orgânica, ampliando sua relevância no cenário agrícola. Sustentabilidade aliada à produtividade Ao transformar um passivo ambiental em insumo agrícola, o setor cria um ciclo virtuoso: reduz a necessidade de descarte industrial, melhora a fertilidade do solo e devolve valor ao produtor rural. A estratégia também se conecta a uma tendência global — a busca por sistemas produtivos mais eficientes, com menor impacto ambiental e maior rastreabilidade dos processos. Com a utilização do fertilizante reciclado na safra 2025/26, a cadeia do tabaco reforça que a sustentabilidade deixou de ser apenas um discurso para se tornar um componente prático da competitividade no agro.
    Por: Redação

    Artigos Relacionados: