• Quarta-feira, 8 de abril de 2026

Petrobras demite diretor que autorizou leilão de gás de cozinha

Estatal não esclareceu o motivo da decisão de encerrar o mandato do Diretor Executivo de Comercialização de maneira antecipada

A Petrobras informou, nessa segunda-feira (7), que encerrou o mandato do Diretor Executivo de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser. O executivo chefiava a área da estatal que foi responsável pelo leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, que teve ágio de mais de 100% e foi criticado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O cargo será ocupado por Angélica Laureano, com mandato unificado até abril de 2027. Apesar do anúncio, a Petrobras não explicou o motivo de encerrar o mandato de Schlosser de maneira antecipada.

O leilão de gás de cozinha, realizado na última terça-feira (31), teria ocorrido contra a orientação da empresa, segundo informou o presidente Lula. O petista classificou o pregão como “cretinice, bandidagem”, e afirmou que o governo pode anular o processo.

“As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação da Petrobras de não aumentar o GLP. Pois fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disse Lula, em entrevista à TV Record Bahia.

No mesmo dia, o Ministério de Minas e Energia (MME) oficiou a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pedindo uma investigação para apurar possíveis práticas abusivas no leilão.

A pasta afirmou que o pregão ocorreu em áreas de elevada demanda com ágios que ultrapassam os preços praticados pelo mercado. “Essa dinâmica pode provocar encarecimento do combustível e gerar impactos ao consumidor”, disse.

A pasta também destaca que os pregões ocorrem em meio a forte volatilidade no mercado internacional de petróleo, impulsionada pela guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito resulta no fechamento do estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção global do petróleo, impactando a oferta da commodity e encarecendo o barril.

“Nesse contexto, o Governo do Brasil tem reforçado o monitoramento da cadeia de abastecimento de combustíveis para ampliar a transparência na formação de preços e coibir práticas abusivas no setor”, escreveu o MME.

Por: Redação

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