A Comissão dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Cuiabá realizou, na manhã desta sexta-feira (6), reunião para debater o fortalecimento de ações de acolhimento e apoio às mulheres em situação de violência. O encontro antecedeu o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), e reuniu representantes de projetos sociais que atuam diretamente no atendimento a vítimas e suas famílias.
A reunião foi conduzida pela presidente da comissão, a vereadora Maria Avalone (PSDB), e contou também com a presença da vice-presidente do grupo, a vereadora Baixinha Giraldelli (Solidariedade). Durante o encontro, foram apresentados os trabalhos desenvolvidos pelo Projeto Escuta e pela ONG Lírios, iniciativas que atuam no atendimento psicológico e psicossocial a mulheres, crianças e famílias em situação de vulnerabilidade.
Segundo Maria Avalone, a reunião marca o início das atividades da comissão em 2026 e foi pensada especialmente para dar visibilidade a projetos que atuam diretamente no enfrentamento à violência contra a mulher.
“Como estamos no mês da mulher, entendemos que era fundamental convidar projetos e programas que realmente atuam com essa realidade. Precisamos conhecer essas iniciativas, aprender com elas e fortalecer esse trabalho. A violência contra a mulher é uma realidade que precisa ser enfrentada durante todo o ano”, destacou a parlamentar.
A vereadora também anunciou que na próxima quarta-feira (11), às 17h, será realizada a instalação da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara de Cuiabá, mecanismo institucional voltado ao fortalecimento das políticas de proteção e acolhimento às mulheres vítimas de violência.
“Somos uma Câmara com oito mulheres parlamentares e temos trabalhado para mudar esse cenário alarmante de violência. A violência contra a mulher não está apenas na periferia, ela está em todas as classes sociais. Precisamos mostrar que existem programas, projetos e ações acontecendo na cidade para enfrentar essa realidade”, afirmou ela.
Durante a reunião, a coordenadora do Projeto Escuta, Cleonice Santos, explicou que a iniciativa nasceu do compromisso de duas mulheres com o cuidado da saúde mental e hoje atende centenas de famílias.
“O projeto nasceu do coração de duas mulheres e vem ajudando muitas famílias. Atuamos há quatro anos e já atendemos mais de duas mil pessoas. Atualmente acompanhamos cerca de 300 famílias, oferecendo apoio psicológico a jovens, crianças, adultos e mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade”, relatou.
A psicóloga do projeto, Nayá Sampaio, destacou que muitas mulheres atendidas chegam ao serviço inicialmente buscando ajuda para os filhos, mas acabam revelando situações de violência doméstica durante o acompanhamento.
“Muitas vezes elas chegam por causa dos filhos e, durante o atendimento, identificamos que também estão em situação de violência ou vulnerabilidade. A partir disso, nossa equipe organiza intervenções voltadas à família, com atendimentos individuais, familiares e, quando necessário, também com os agressores”, explicou.
Atualmente, segundo a profissional, cerca de 300 famílias são atendidas pelo projeto, sendo mais de 30 casos relacionados diretamente à violência doméstica.
A reunião também contou com a participação de Muriel Torres, presidente da ONG Lírios, organização que atua há 12 anos no atendimento psicossocial a mulheres e crianças vítimas de violência em Cuiabá e Várzea Grande.
De acordo com ela, a união entre projetos sociais e o poder público é fundamental para ampliar o alcance das ações de proteção.
“Não adianta apenas os projetos sociais atuarem. Precisamos do apoio do poder público. A instalação da Procuradoria da Mulher na Câmara é extremamente importante porque fortalece a voz de muitas mulheres e amplia as possibilidades de acolhimento”, ressaltou.
A ONG Lírios também desenvolve ações preventivas nas escolas por meio do projeto “Plantando Lírios”, que promove palestras e atividades educativas para crianças e adolescentes sobre prevenção à violência.
“Hoje também atendemos muitas crianças vítimas de violência, principalmente violência sexual. Acreditamos que a transformação começa pela educação, trabalhando com as crianças para quebrar ciclos de violência dentro das famílias”, explicou.





