• Sexta-feira, 6 de março de 2026

Lei de Ranalli permite retirada de pichações ligadas ao crime organizado

Lei de Ranalli permite retirada de pichações ligadas ao crime organizado

Uma lei de autoria do vereador policial federal Rafael Ranalli (PL) foi sancionada pela Prefeitura de Cuiabá e coloca no centro do debate o avanço da influência do crime organizado na capital. A norma cria diretrizes para o enfrentamento de símbolos, inscrições e sinais que façam referência a facções criminosas em espaços públicos do município.

A proposta mira diretamente pichações e marcações espalhadas em muros, prédios públicos, escolas e outros pontos da cidade que, segundo a leitura defendida pelo grupo político de Ranalli(PL), funcionam como demonstração de poder, intimidação e domínio territorial por parte das organizações criminosas.

Com a sanção, a prefeitura passa a ter respaldo legal para intensificar a retirada dessas referências visuais e adotar medidas de contenção contra o que a gestão trata como expansão da cultura do crime em Cuiabá. A avaliação é de que essas mensagens não representam apenas vandalismo urbano, mas uma forma silenciosa de imposição de medo em comunidades onde o poder público muitas vezes chega tarde.

Durante a discussão da medida, o prefeito Abilio Brunini (PL) afirmou que a legislação permite avançar no combate a pichações usadas por facções para demarcar território. A gestão também indicou que deve discutir estrutura e recursos para colocar a iniciativa em prática nos bairros da capital.

Um dos pontos previstos é o uso de mão de obra prisional em ações de remoção dessas marcações, dentro de programas já existentes de serviços urbanos. A aposta é limpar áreas atingidas e evitar que símbolos ligados ao crime organizado permaneçam visíveis e se tornem parte da paisagem cotidiana da cidade.

A lei ainda prevê ações educativas nas escolas municipais com foco em cidadania, legalidade e prevenção ao envolvimento de jovens com a criminalidade. Também abre espaço para o incentivo ao uso de tecnologias de monitoramento capazes de identificar sinais e referências associados a grupos criminosos.

Autor da proposta, Ranalli (PL) sustenta que o objetivo é ampliar a capacidade de reação do município diante da presença de facções no ambiente urbano. A defesa feita por ele é de que a prefeitura tenha meios legais para agir tanto na remoção do que já foi pichado quanto na prevenção de novas marcações em espaços públicos.

A sanção da norma reforça a tentativa de transformar o enfrentamento à influência do crime organizado em uma bandeira política e administrativa em Cuiabá. Mais do que apagar tinta de muro, a medida implementa a ideia de retomada simbólica do espaço público diante do avanço de códigos que, para muitos moradores, já deixaram de ser detalhes e passaram a representar ameaça.
Por: Redação

Artigos Relacionados: