• Terça-feira, 14 de abril de 2026

Papa Leão XIV inicia visita à África e rejeita 'debate' com Trump

Pontífice afirmou que continuará promovendo a paz; papa realiza viagem histórica em países africanos até 23 de abril

O papa Leão XIV iniciou, nesta segunda-feira (13), uma visita histórica  à Argélia — a primeira viagem de um pontífice a este país de maioria muçulmana — e afirmou que não tem medo do governo dos Estados Unidos, apontando que não tinha a intenção de debater com o presidente Donald Trump, apesar das críticas do republicano.

Antes de chegar no país africano, Leão XIV, nascido nos EUA, se tornou alvo de duras críticas por parte de Trump, que atacou os comentários do pontífice, que pedia o fim da violência na guerra do Irã.

Na ocasião, Trump disse que não é "um grande fã do papa Leão XIV", acusando o líder da Igreja Católica de "brincar com um país (Irã) que quer uma arma nuclear". Em resposta, o pontífice disse a jornalistas, a bordo do avião papal, que não pretende debatar com Trump e mantém a mensagem de paz.

"Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz", declarou  destacando que não tem "medo" do governo dos Estados Unidos.

O republicano qualificou o papa como "fraco em matéria de crime e péssimo para a política externa", sugerindo que os cardeais só o elegeram como papa em maio de 2025 devido à sua nacionalidade americana e uma possível ligação a Washington. Posteriormente, Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial que aparentemente representa a si próprio como Jesus Cristo.

O pontífice aterrisou na capital argelina, Argel, por volta das 6h (horário de Brasília). Mais tade, ele fez um apelo ao "perdão" em um discurso em homenagem às vítimas da guerra de independência do país contra a França (1954-1962).

O comentário, o primeiro desde a chegada ao país norte‑africano, ocorre em meio a uma tensão crescente entre Argélia e França, e após seu encontro, há alguns dias, com o presidente Emmanuel Macron no Vaticano.

"Neste lugar, lembremos que Deus deseja a paz para todas as nações (...) Essa paz, que nos permite enfrentar o futuro com um espírito de reconciliação, só é possível mediante o perdão", disse o pontífice diante do Monumento ao Mártir argelino, na capital.

O arcebispo de Argel, o cardeal Jean-Paul Vesco, opinou que a visita do papa pretende "construir pontes entre os mundos cristão e muçulmano". A viagem também tem um profundo significado pessoal para Leão XIV, já que a Argélia foi a terra natal de Santo Agostinho (354-430), cujo legado espiritual permeia o atual pontificado.

Santo Agostinho, um dos principais teólogos cristãos, lançou as bases da ordem agostiniana do século XIII à qual Leão pertence, baseada na vida em comunidade e no serviço. No primeiro discurso como papa, Leão se apresentou como "filho" de Santo Agostinho, cujos escritos cita com frequência.

A visita à Argélia marca o início da primeira grande viagem internacional do papa de 70 anos, que também passará por Camarões, Angola e Guiné Equatorial, uma maratona de 18 mil quilômetros com uma agenda de 13 a 23 de abril.

Não está prevista nenhuma cerimônia com a presença de uma multidão na capital e o famoso papamóvel permanecerá no aeroporto, segundo o site de notícias Casbah Tribune.

Ainda nesta segunda, Leão XIV rezará de maneira privada na capela dos 19 "mártires da Argélia", padres e religiosos assassinados durante a década de guerra civil (1992-2002), símbolo do preço pago pelos religiosos comprometidos com o diálogo com o islã.

Na peregrinação mais pessoal, o papa viajará na terça-feira (14) a Annaba (leste), perto da fronteira com a Tunísia, a antiga Hipona, onde Santo Agostinho foi bispo. Ele também visitará á o sítio arqueológico de Hipona, onde são conservados vestígios da cidade romana e cristã, e celebrará uma missa na basílica.

Antes de se tornar papa, Robert Francis Prevost visitou a Argélia duas vezes como dirigente dessa ordem, fundada no século XIII, inspirada na vida comunitária.

Por: Redação

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