A Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados) decidiu, no domingo (4.jan.2026), manter o aumento gradual da produção de petróleo em 137 mil barris por dia nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2026.
A medida já havia sido anunciada em novembro de 2025 e, segundo o cartel, leva em conta a sazonalidade da demanda, além de um cenário econômico considerado estável e estoques globais baixos. O objetivo central é preservar a estabilidade do mercado em um momento de volatilidade dos preços.
Participaram da decisão os 8 países integrantes que produzem hoje cerca de metade do petróleo mundial: Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
No comunicado, o grupo afirmou que continuará a monitorar de perto o mercado e manteve aberta a possibilidade de pausar ou reverter ajustes voluntários de produção.
Em 2025, os preços do petróleo caíram mais de 18%, a maior queda anual desde 2020, pressionados por preocupações com desaceleração econômica e aumento da produção fora do grupo, sobretudo nos Estados Unidos, Brasil, Guiana e Canadá.
De abril a dezembro do ano passado, os próprios integrantes da Opep+ haviam elevado suas metas em cerca de 2,9 milhões de barris por dia, o equivalente a quase 3% da demanda global.
A reunião ocorreu em meio a tensões políticas, como divergências entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos e a crise envolvendo a Venezuela, produtora menor do grupo. Segundo delegados, o caso venezuelano não foi discutido no encontro.
A Venezuela é integrante da Opep e da Opep+, mas não integra o grupo de países que adotam cortes voluntários adicionais. O país ficou fora dessas decisões porque sua produção já é limitada por sanções internacionais e por problemas estruturais no setor petrolífero.
A Opep funciona como um cartel tradicional, no qual países exportadores de petróleo coordenam políticas gerais de produção para influenciar a oferta global e os preços da commodity.
A Opep+ é uma aliança mais ampla e operacional, criada para incluir grandes produtores fora da Opep, como a Rússia, e permitir decisões mais rápidas e flexíveis, como cortes ou aumentos voluntários de produção, com o objetivo específico de equilibrar o mercado e conter oscilações bruscas nos preços do petróleo.
Os ministros da Opep+ voltarão a se reunir em 1º de fevereiro de 2026, quando poderão reavaliar a estratégia de produção à luz do comportamento dos preços e da demanda global.





