O que esperar do futuro do petróleo após o ataque de Trump à Venezuela
Republicano quer volta de empresas dos Estados Unidos ao país latino-americano. Preços da commodity podem até cair, mas incerteza é grande
As recentes declarações do presidente dos Estados Unidos, , mostram que um dos principais objetivos do republicano ao atacar a Venezuela foi retomar o protagonismo das petroleiras dos EUA no país latino-americano. Essa é a análise do economista Adriano Pires, especialista no setor de energia e infraestrutura, com base no pronunciamento de Trump no sábado (3/1), em sua casa em Mar-a-Lago, na Flórida.
Na ocasião, nota Pires, o presidente dos EUA foi explícito ao afirmar que as empresas norte-americanas irão “consertar” a infraestrutura defasada depois de anos de nacionalização do setor de . “Nossas gigantescas companhias petrolíferas, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, afirmou. “E estamos prontos para lançar um segundo ataque, muito maior, se necessário.”
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Adriano Pires observa que a presença das empresas norte-americanas na Venezuela começou a diminuir com a saída do poder do ex-presidente Carlos Andrés Pérez, no início dos anos 1990. Ela foi enterrada de vez com a nacionalização do segmento na primeira gestão de Hugo Chávez, em 1999 – o mentor de Nicolás Maduro, agora, detido nos EUA.
Hoje, entre as companhias dos EUA, apenas a Chevron opera na Venezuela, mas com base numa autorização especial. O potencial do país latino-americano como produtor de petróleo, contudo, é muito maior do que o atual.
Maior reserva do mundo
Pires nota que os venezuelanos produzem entre 800 mil e 1 milhão de barris por dia, embora pudessem facilmente, com condições adequadas de exploração, atingir a marca de 4 milhões de barris diários (patamar no qual se encontra o Brasil). Além disso, a Venezuela tem a maior reserva de petróleo conhecida do mundo (embora de baixa qualidade), com 17% do total global. Atualmente, a China é o maior comprador da produção venezuelana.
O economista destaca que, caso a investida de Trump deste sábado represente uma volta da presença dos EUA no setor petrolífero venezuelano, o ataque tem o potencial de redefinir a ordem energética mundial.
Como fica o preço
Em relação ao preço da commodity, porém, Pires não acredita numa elevação, como consequência da ação norte-americana. Isso porque a produção da Venezuela no contexto global não é expressiva e já havia um excesso de oferta do produto no mundo.
Foi por isso que os preços do petróleo registraram uma perda de quase 20% no ano passado, o que representou a maior queda anual desde 2020. Recuos nesse nível ocorreram tanto nos contratos futuros do barril tipo Brent, a referência para o mercado mundial, como no West Texas Intermediate (WTI), que baliza o mercado norte-americano.
“No curto prazo, acredito que o preço do petróleo pode até diminuir no mercado internacional, como resultado da ação dos EUA na Venezuela”, diz Pires. “Ela pode criar uma expectativa de que a produção mundial deve aumentar com o fortalecimento do setor no país, depois da eventual chegada das gigantes norte-americanas à Venezuela.”
Risco de alta existe
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (), Roberto Ardenghy, no entanto, o risco de elevação do preço da commodity é mais do que significativo. Na verdade, ele considera que a alta é uma “aposta certeira” no mercado internacional na segunda-feira (5/1).
Ardenghy acredita que essa volatilidade é impulsionada pela incerteza política e pelas possíveis reações de aliados estratégicos da Venezuela e membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), como Rússia e Irã. Isso além de uma eventual redução na oferta global.
Custo dos fretes
O presidente do IBP teme também o potencial encarecimento de fretes e seguros marítimos caso a crise resulte em um bloqueio naval ou aéreo na região caribenha. A área é uma importante rota de escoamento para as exportações brasileiras e via de importação de derivados (diesel e gasolina) provenientes do Golfo do México. Qualquer reorganização logística por conta da ação dos EUA contra a Venezuela nessa região poderá elevar os custos operacionais dos transportes.
Por: Metrópoles





