• Sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Nem álcool, nem hepatite: saiba o que aumentou as doenças do fígado

Doenças do fígado crescem no mundo e avançam no Brasil, impulsionadas por desequilíbrios metabólicos ligados ao peso, dieta e estilo de vida

e desempenha funções essenciais de desintoxicação para manter o organismo em equilíbrio. Por isso, durante muito tempo o álcool foi apontado como inimigo número 1 do órgão, ao lado de inflamações virais que também são especialmente danosas, como as hepatites. No entanto, nos últimos anos a maior ameaça é uma doença que era considerada um “mal menor”: , conhecida popularmente como gordura no fígado. A doença é causada por no órgão que inflamam e prejudicam o funcionamento do fígado quando ultrapassam 5% do seu volume. Leia também Associada ao sobrepeso e à alimentação com muito açúcar e gordura e uma rotina de pouca atividade física, a doença tem crescido globalmente como causadora de complicações graves como o câncer de fígado. Ela costuma ser acompanhada por outras condições metabólicas como a resistência à insulina, diabetes tipo 2 e o colesterol alto. “Antigamente, acreditava-se que o câncer de fígado ocorria principalmente em pacientes com hepatite viral ou doença hepática relacionada ao álcool. No entanto, hoje, as crescentes taxas de obesidade são um fator de risco crescente para a doença, principalmente devido ao aumento de casos de excesso de gordura ao redor do fígado”, afirma o hepatologista Jean Tafarel, do Hospital Universitário Cajuru. Os riscos da gordura no fígado A MASLD já atinge cerca de 30% da população mundial e, segundo estimativas médicas, deve se tornar a principal causa de transplante de fígado até 2030. Isso acontece porque cerca de 20% das pessoas com MASLD acaba desencadeando inflamações crônicas no fígado que obrigam o órgão a se cicatrizar a ponto de desenvolver fibroses que comprometem seu funcionamento. Embora o agravamento não seja sempre presente, como a doença é muito prevalente na população mundial, a associação entre a gordura no fígado e as doenças graves têm mudado a forma como a medicina avalia esse risco. O fígado sofre em silêncio e, muitas vezes, o diagnóstico só acontece quando já há inflamação ou fibrose”, diz Tafarel. Nem álcool, nem hepatite: saiba o que aumentou as doenças do fígado - destaque galeria4 imagens A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundialAlterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregularesNo início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdomeFechar modal. MetrópolesA esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado1 de 4 A esteatose hepática é popularmente conhecida como gordura no fígado Mohammed Haneefa Nizamudeen/Getty Images A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial2 de 4 A condição de gordura no fígado acomete 30% da população mundial Magicmine/Getty Images Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares3 de 4 Alterações na função hepática podem provocar distúrbios do sono, como insônia, sonolência diurna e ciclos de descanso irregulares Science Photo Library - SCIEPRO/Getty Images No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome4 de 4 No início, as manifestações costumam ser inespecíficas, como cansaço, fraqueza, perda de apetite, náuseas, sensação de inchaço abdominal ou desconforto do lado direito do abdome Magicmine/Getty Images Consequências graves para a sáude Além da alimentação baseada em ultraprocessados, o sedentarismo e o estresse também influenciam a formação do depósito gorduroso. O material desencadeia inflamação, destrói células e cria cicatrizes. Nos estágios mais graves, podem surgir cirrose, câncer e falência hepática. Além disso, pessoas com MASLD enfrentam risco maior de doenças cardiovasculares. Infartos, insuficiência cardíaca e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) acontecem até duas vezes mais em pacientes com alterações no fígado. Por que este agora é o inimigo nº 1? O avanço da doença ocorreu após dois movimentos positivos. O primeiro foi o controle das hepatites virais, com vacinação contra o tipo B e novos tratamentos para o tipo C que reduziram mortes e necessidade de transplantes. O segundo fator foi a queda no uso abusivo de álcool. O mostrou que em 2023, as internações totalmente atribuíveis ao álcool (27 internações/100 mil habitantes) foram cerca de metade das observadas em 2010 (57 internações/100 mil habitantes). “Durante muito tempo se acreditou que a esteatose não traria consequências sérias, mas hoje sabemos que pode evoluir para cirrose e até para câncer de fígado. O cuidado preventivo é essencial. O principal tratamento continua sendo o controle das causas: obesidade, diabetes e sedentarismo. Manter a pressão arterial, o açúcar no sangue e o colesterol sob controle, aliado à prática regular de atividade física é essencial para evitar a progressão da doença”, conclui o hepatologista. Siga a editoria de e fique por dentro de tudo sobre o assunto!
Por: Metrópoles

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