Os Estados Unidos divulgaram, nesta quarta-feira (15), um áudio que registrou militares alertando para que embarcações interrompam "o trânsito para o Irã, caso seja o próximo porto de escalada". O aviso acontece em meio a um bloqueio imposto por Washington no Estreito de Ormuz.
No áudio, é possível escutar um militar avisando: "Não tentem romper o bloqueio", diz. "Embarcações em trânsito para ou a partir de portos iranianos serão abordadas para interdição e apreensão. Deem meia-volta e preparem-se para serem abordadas. Se não cumprirem este bloqueio, usaremos a força. Toda a Marinha dos Estados Unidos está pronta para impor o cumprimento", conclui.
O conteúdo foi divulgado pelo Comando Central dos EUA (Centcom) no início desta tarde. Confira:
U.S. naval vessels are on patrol in the Gulf of Oman as CENTCOM continues to execute a U.S. blockade on ships entering and departing Iranian ports. U.S. forces are present, vigilant, and ready to ensure compliance. pic.twitter.com/dnHR2oz0ZN
— U.S. Central Command (@CENTCOM) April 15, 2026
Na publicação, a autoridade norte-americana afirma que navios navais dos EUA estão em patrulha no Golfo de Omã e que o bloqueio do país em navios que entram e saem dos portos iranianos continua. "As forças dos EUA estão presentes, vigilantes e prontas para garantir o cumprimento", escreveu.
O bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz começou na segunda-feira (13) o Centcom afirmou que “nenhuma embarcação” conseguiu ultrapassar as forças norte-americanas.
A mídia do Irã divulgou que quatro embarcações viajaram para o país e saíram do território na quarta-feira (15). Dados marítimos mostram que três navios entraram em águas iranianas enquanto uma estava saindo.
Os Estados Unidos anunciaram no domingo (12) que iriam bloquear o Estreito de Ormuz às 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira (13). Ao fechar o estreito, os EUA podem cortar uma fonte fundamental de financiamento para o governo e para as operações militares do Irã.
O Comando Central dos EUA confirmou o bloqueio, afirmando que "será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã", informou. .
Mais tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que qualquer "navio de ataque" do Irã que se aproximar do bloqueio serão destruídas.
"Aviso: se algum desses navios se aproximar do nosso bloqueio, será eliminado imediatamente", escreveu Trump na própria rede social, a Truth Social. Trump completou dizendo que a Marinha iraniana foi "aniquilada".
O Estreito de Ormuz é uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo, que está praticamente paralisado pela guerra no Oriente Médio.
O conflito começou em 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bomberdear o Irã. O país persa, em represália, ataca bases militares norte-americanas na região, instalações israelenses e restringe o acesso ao Estreito de Ormuz. A via é o caminho de escoamento para 20% do Gás Natural Liquefeito (GNL) negociado no planeta. Além disso, cerca de 20 milhões de barris de petróleo bruto transitam, em condições normais, pela passagem diariamente
O fechamento do Estreito de Ormuz afeta diretamente a economia mundial, visto que a maioria do fluxo atual está impedida de transitar no local. Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina chegou a US$ 3,72 por galão, em média, de acordo com a Associação Automobilística Americana (em inglês: American Automobile Association). Este é o preço mais alto do combustível comum desde 7 de outubro de 2023.
Além do prejuízo econômico, o fechamento do Estreito de Ormuz trouxe consequências no transporte marítimo e ataques contra embarcações, com desaparecimentos, feridos e mortes.





