• Domingo, 19 de abril de 2026

Na Alemanha, Lula questiona papel da ONU diante do aumento de conflitos globais

Presidente faz apelo por redirecionamento de recursos militares para combate à fome, critica decisões unilaterais de líderes globais e cobra responsabilidade social no avanço da I.A

Durante discurso na Feira Industrial de Hannover neste domingo (19), na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas diretas ao funcionamento da governança global, questionou o papel do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho.

Sem citar nominalmente conflitos específicos, Lula criticou o volume de recursos destinados a guerras no mundo e cobrou mudança de prioridades por parte das principais potências: “Não é possível, em pleno século XXI, quando nós ainda não resolvemos o problema da fome no mundo, quando nós ainda não resolvemos o problema do analfabetismo no mundo, quando quase 60% de seres humanos ainda não têm energia elétrica no mundo, não é possível que nós estejamos gastando dois trilhões e setecentos bilhões de dólares em guerra e nada para acabar com a fome no planeta”, afirmou.

O presidente também direcionou críticas ao Conselho de Segurança da ONU, formado pelas principais potências globais, ao questionar a efetividade do órgão diante do aumento de conflitos internacionais: “É de se perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido: para que é que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que é que vocês não se reúnem e não decidem acabar com essas guerras?”, disse.

Ainda no discurso, Lula criticou decisões unilaterais de líderes internacionais e fez referência ao uso de medidas econômicas e políticas anunciadas por meios digitais: “Nós não podemos permitir que o mundo circule ao comportamento de um presidente que acha que, por e-mail ou por tweet, ele pode taxar produtos, pode punir países e pode fazer guerra”, declarou.

No campo econômico, Lula fez um apelo a empresários, pesquisadores e lideranças industriais para que o avanço da inteligência artificial considere os impactos sociais, especialmente sobre o emprego: “Eu acho muito bonito a gente falar tanto nos efeitos que a inteligência artificial pode criar no mundo. Mas poucas vezes eu ouço falar de uma coisa chamada trabalhador”, afirmou.

O presidente defendeu que o desenvolvimento tecnológico precisa estar alinhado à geração de oportunidades: “Por detrás de cada invenção, tem um ser humano. E se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar. O planeta Terra ainda é morado por seres humanos que precisam trabalhar, morar, estudar e viver dignamente”, disse.

O discurso foi dado durante a participação do Brasil como convidado especial da Hannover Messe, uma das maiores feiras industriais do mundo, e integra a estratégia do governo de ampliar parcerias econômicas com a Alemanha e reposicionar o país no debate internacional sobre desenvolvimento, tecnologia e governança global.

Por: ITATIAIA

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