Durante discurso neste domingo (19) na Feira Industrial de Hannover, na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fortalecimento do multilateralismo e destacou a entrada em vigor de um acordo internacional como resposta ao avanço do unilateralismo e das tensões econômicas globais.
Segundo Lula, a cooperação entre países é o caminho para enfrentar crises econômicas e garantir crescimento sustentável, em contraste com medidas isoladas adotadas por algumas potências: “Diante do unilateralismo, o Mercosul e a União Europeia escolheram a cooperação. Daqui a menos de duas semanas entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 120 milhões de pessoas e um PIB de 22 trilhões de dólares”, afirmou.
O presidente ressaltou que a ampliação das relações comerciais pode gerar empregos e fortalecer as cadeias produtivas: “Mais comércio e mais investimento significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico. Com maior integração produtiva, reportaremos a estabilidade das cadeias de suprimento”, disse.
Ao contextualizar o cenário internacional, Lula criticou o avanço do protecionismo e os impactos econômicos das guerras, apontando efeitos diretos sobre energia, alimentos e inflação: “O protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos”, declarou.
Ele também destacou que conflitos armados têm impactos que vão além das perdas humanas: “Flutuações no preço do petróleo encarecem a energia e o transporte. A escassez de fertilizantes afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar. São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos”, afirmou.
Lula voltou a defender a reformulação das instituições internacionais e a ampliação da participação do Sul Global nas decisões multilaterais: “O novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, disse.
Segundo o presidente, a atual estrutura global não reflete os interesses de todos os países: “A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição essencial para que os arranjos multilaterais sejam legítimos e relevantes frente aos desafios do século XXI”, afirmou.
O presidente também defendeu o papel do Brasil como parceiro estratégico da União Europeia, especialmente na agenda energética e ambiental: “O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custo de energia e descarbonizar sua indústria”, disse.
Lula ainda criticou o que chamou de barreiras e narrativas equivocadas sobre a produção brasileira: “É preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais é contraproducente tanto do ponto de vista ambiental quanto energético”, afirmou.





