• Sexta-feira, 20 de março de 2026

Mendonça diz que bom juiz não pode ser “estrela”

Relator do caso Master no STF declarou que não tem “pretensão de ser salvador" e que tem mais "responsabilidade" do que poderes

O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), disse nesta 6ª feira (20.mar.2026) que “um bom juiz não pode ser diferente” e que magistrados não devem ser “estrelas”. Em palestra para a seção do Rio de Janeiro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o ministro também declarou que não tem a “pretensão de ser salvador” e que tem mais “responsabilidade” do que poderes.

“O papel de um bom juiz não é ser estrela. É simplesmente assumir a responsabilidade e julgar. Como sou cristão, peço a Deus que julgue da forma certa”, afirmou o ministro na palestra intitulada “Os desafios da advocacia no século 21”.

A declaração foi feita 1 dia depois do ministro autorizar a transferência do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O ex-banqueiro assinou um termo de confidencialidade junto com a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria Geral da República), iniciando o processo para a delação premiada.

Na palestra, o relator do Master disse que não quer ser um “salvador” e que o seu cargo carrega mais responsabilidade do que poderes: “Não me considero mais importante, nem sou menos importante. Os 11, hoje 10, cada um com sua devida importância e sua devida responsabilidade. Não tenho pretensão de ser salvador de nada. Entendo que é um ônus público, que há mais responsabilidades e deveres do que prerrogativas e poderes”.

“Meu grande desafio, em qualquer processo, é entender o que é certo. Decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos, pelo dever de fazer o certo. Por isso não tenho pretensão de ser esperança, alguém com algum dom especial, só a expectativa de tentar fazer o certo pelos motivos certos”, afirmou.

O ministro assumiu o inquérito em 12 de fevereiro, após o colegiado se reunir e o ministro Dias Toffoli decidir deixar o caso.

Mendonça autorizou a 3ª fase da operação Compliance Zero, que determinou a prisão de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

Na decisão (íntegra – PDF – 384 kB), o ministro disse que Vorcaro “manteve atuação direta na condução de estratégias financeiras e institucionais relacionadas à instituição, participando de decisões voltadas à captação de recursos no mercado financeiro e à sua posterior alocação em estruturas de investimento vinculadas ao próprio conglomerado econômico”.

Segundo ele, elementos da investigação indicam que o banqueiro “participou da estruturação de modelo de captação de recursos mediante emissão de títulos bancários com remuneração significativamente superior à média de mercado, direcionando os valores obtidos para investimentos em ativos de maior risco e baixa liquidez, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista”.

Segundo a PF, o esquema investigado apresenta 4 núcleos principais de atuação:

Além de Vorcaro, foram presos:

Por: Poder360

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