• Segunda-feira, 20 de abril de 2026

Malbec: a uva que se reinventou na Argentina e 3 rótulos para se apaixonar

A casta vitivinícola que nasceu em solo Francês, alcançou o estrelato na América do Sul, mas precisamente na Argentina e conquistou o mundo como estrela de primeira grandeza

A história da uva Malbec é marcada por quedas, reinvenções e uma consagração improvável. De origem discreta, nasceu no sudoeste da França, mais especificamente na região de Cahors, onde era conhecida como Côt ou Auxerrois. Por lá, dava origem a vinhos escuros, rústicos e potentes — característica que lhe rendeu o apelido de “vinho negro de Cahors”.

Com raízes que remontam à Antiguidade, a Malbec já era valorizada desde o Império Romano e, mais tarde, pela realeza medieval, principalmente por sua cor intensa e taninos robustos. Em Bordeaux, teve papel importante na composição dos cortes clássicos ao lado de Cabernet Sauvignon e Merlot. Nunca foi protagonista, mas sempre atuou como coadjuvante de personalidade forte.

Entre as décadas de 1860 e 1890, a praga da filoxera quase dizimou os vinhedos europeus, atingindo seu auge por volta de 1900. A praga devastou cerca de quatro quintos (aproximadamente 80%) de todos os vinhedos do mundo, em uma das maiores crises da história agrícola da Europa. Como muitas, a Malbec também foi duramente afetada. Já no século XX, novas geadas severas — especialmente a de 1956, na França — agravaram ainda mais a situação.

Como resultado desta catástrofe, os vinhedos de Malbec foram arrancados e substituídos por uvas mais “seguras”, sendo substituída principalmente pela Merlot, que até hoje compõe o Corte Bordalês. Como consequência, a Malbec perdeu espaço e relevância na Europa. 

O renascimento e a fama da Malbec aconteceria em outro continente, onde encontraria um novo lar. Chegou à Argentina em 1853, pelas mãos do agrônomo Francês Michel Aimé Pouget, a pedido do Presidente argentino Domingo Faustino Sarmiento, para melhorar a produção do país.

As mudas foram plantadas aos pés da Cordilheiras dos Andes, em altitude elevada, clima seco e grande amplitude térmica. Nestas condições — ideais para produção da uva — a Malbec mostrou todo o seu potencial, produzindo vinhos macios e sedosos. Ainda ganhou notas expressivas de frutas negras maduras (sua maior característica), aromas florais agradáveis, perdeu parte da rusticidade francesa e ganhou identidade própria.

A partir de 1990, a exportação do Malbec Argentino cresceu e o sucesso foi imediato: a uva deixou de ser de segunda linha, se tornando um símbolo nacional argentino.

Apesar de ser cultivada em vários países do mundo (inclusive no Brasil), atualmente 75% da produção mundial de Malbec é Argentina. Na França, a Malbec ainda é produzida principalmente na região de Cahors, originando vinhos de cor rubi-púrpura extremamente intensa e escura, aromas de frutas negras como amora e ameixa, couro, terra e especiarias. São mais estruturados, tânicos, com alta acidez e grande potencial de guarda.

No dia 17 de abril é comemorado o Malbec Day, data que celebra sua chegada na Argentina, país que tornou a quase extinta uva francesa, atravessou o oceano, se reinventou no terroirs de Mendoza tornando seu vinhos dos mais consumidos e valorizados no mundo e  protagonista na Argentina, provou que origem, não define o destino.

Então, para celebrar, nada melhor que uma taça de um belo Malbec, e deixá-lo conduzir o ritmo das horas. Algumas sugestões certeiras para degustar:

Vinho com 92 pts Guia Descorchados e 91 pts James Suckling. Pequena produção com selo de Sustentabilidade Certificada. A colheita é manual e fermentado em pequenas cubas de concreto. 50% do vinho amadurece por 6 meses em barrica de carvalho. Teor alcoólico 13,2%. Notas de frutas vermelhas, tomilho, seus taninos são macios, grande frescor e boa intensidade. Harmoniza com carnes vermelhas, massas e queijos curados. Importado para o Brasil pela 8 barricas. Possui excelente custo-benefício com preço médio de R$ 110.

Com púrpura vibrante, este vinho surpreende pela intensidade e estrutura elegante, taninos bem equilibrados e acidez vibrante. Notas vibrantes de ameixa e framboesa, chocolate, café e especiarias. Possui final longo e potencial de guarda. Harmoniza perfeitamente com churrasco, cordeiro, magret de Canard, massas com ragu e queijos maduros. Belíssimo exemplar de tinto para inúmeras ocasiões. Encontrado em casas especializadas em vinhos e restaurantes. Ótimo custo/prazer, preço médio de R$ 230

Amadurece em barricas de carvalho Francês por 12 meses. Conheci este vinho na Pro Wine de 2025, na Master Class conduzida pelo próprio Adriano Miolo. É um vinho que que te apaixona já no primeiro gole, “inundando” o paladar e olfato com uma complexidade de aromas e sabores de muita qualidade, com persistência muito longa, traz grande prazer na degustação. Além da grande complexidade, a sedosidade trazida pela técnica de appassimento das uvas, se desdobra nas características de cada casta que compõem o blend de uvas emblemáticas da região, trazendo muito volume de boca, taninos aveludados, uvas passas e um leve toque de dulçor, deixando um final muito agradável na memória. Harmoniza com gastronomia asiática, pratos com carnes suínas, risotos e com preparações agridoces. Acompanha muito bem chocolate amargo e receitas com frutas secas. Excelente custo/prazer.

Por: NSC Total

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