"Incomuns e extraordinárias"
Trump justificou os dois conjuntos de tarifas -- bem como as tarifas mais recentes -- com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional. A IEEPA dá ao presidente o poder de lidar com ameaças "incomuns e extraordinárias" durante emergências nacionais. "O estatuto confere autoridade significativa ao presidente para realizar diversas ações em resposta a uma emergência nacional declarada, mas nenhuma dessas ações inclui explicitamente o poder de impor tarifas, taxas ou algo semelhante, ou o poder de tributar", disse o tribunal. "Parece improvável que o Congresso pretendesse, ao promulgar a IEEPA, afastar-se de sua prática anterior e conceder ao presidente autoridade ilimitada para impor tarifas." A lei de 1977 tem sido historicamente usada para sancionar inimigos ou congelar seus bens. Trump, o primeiro presidente a usar a IEEPA para impor tarifas, diz que as medidas foram justificadas devido aos desequilíbrios comerciais, ao declínio do poder de fabricação dos EUA e ao fluxo transfronteiriço de drogas. O Departamento de Justiça de Trump argumentou que a lei permite tarifas de acordo com as disposições de emergência que autorizam o presidente a "regular" as importações ou bloqueá-las completamente. Trump declarou uma emergência nacional em abril devido ao fato de que os EUA importam mais do que exportam, como o país tem feito há décadas. Trump disse que o déficit comercial persistente estava prejudicando a capacidade da manufatura e a prontidão militar dos EUA. Trump disse que as tarifas de fevereiro contra a China, o Canadá e o México eram apropriadas porque esses países não estavam fazendo o suficiente para impedir que o fentanil ilegal atravessasse as fronteiras dos EUA, uma alegação que os países negaram. O tribunal de recursos decidiu sobre dois casos, um apresentado por cinco pequenas empresas dos EUA e o outro por 12 Estados norte-americanos liderados pelos democratas, que argumentaram que a IEEPA não autoriza tarifas. A Constituição concede ao Congresso, e não ao presidente, a autoridade para emitir impostos e tarifas, e qualquer delegação dessa autoridade deve ser explícita e limitada, de acordo com as ações judiciais. A Corte de Comércio Internacional dos EUA, sediada em Nova York, decidiu contra as políticas tarifárias de Trump em 28 de maio, afirmando que o presidente havia excedido sua autoridade quando impôs os dois conjuntos de tarifas contestados. O painel de três juízes incluiu um juiz que foi nomeado por Trump em seu primeiro mandato. Outro tribunal em Washington decidiu que a IEEPA não autoriza as tarifas de Trump, e o governo também recorreu dessa decisão. Pelo menos oito ações judiciais contestaram as políticas tarifárias de Trump, incluindo uma movida pelo Estado da Califórnia. * É proibida a reprodução deste conteúdo Relacionadas
Lula diz que "não tem pressa" para aplicar reciprocidade contra os EUA

EUA revogam vistos de líderes palestinos antes da Assembleia da ONU