O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta 4ª feira (4.mar.2026) que os 5 integrantes permanentes do Conselho de Segurança da ONU –França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos– priorizem o combate à fome em vez de ampliarem gastos militares. Ele não citou diretamente os conflitos entre os EUA, Irã e Israel.
Lula afirmou que os US$ 2,7 trilhões gastos em conflitos armados no ano passado, divididos entre os 630 milhões de pessoas que passam fome no planeta, equivaleriam a US$ 4.285 por pessoa. “Não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes do mundo”, disse na cerimônia de abertura da Larc39 (39ª Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe), no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
O presidente propôs que os 5 líderes fizessem uma teleconferência para debater o tema –sem risco de ataques, sem necessidade de deslocamento. “A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz”, declarou.
Lula criticou a indiferença global ao tema e disse que fica sensibilizado ao perceber que a fome “mexe muito pouco com o coração dos seres humanos do mundo”.
Afirmou que os países precisam debater quanto destinam ao combate à pobreza – “se é a construção de mais armas, cada vez mais sofisticadas e cada vez mais caras, ou o aumento da distribuição de alimentos ao povo”.
O presidente fez um apelo específico à América Latina, chamando a região de “parte do mundo rica, que tem praticamente tudo aquilo que a natureza ofereceu aos seres humanos” e que, segundo ele, muitas vezes é explorada para produzir armas.
Na mesma cerimônia, a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, foi nomeada Campeã da Igualdade Social pela FAO. O título foi entregue pelo diretor-geral da organização, Qu Dongyu, que a chamou de “campeã” e destacou seu compromisso com a erradicação da fome. Com o reconhecimento, Janja assume a missão de divulgar os esforços científicos da FAO no mundo.
“Terei um olhar mais atento para mulheres e meninas, porque são elas quem mais sofrem o flagelo da fome e da insegurança alimentar. Enquanto houver alguém com fome, nosso flagelo não terminou”, declarou.
Antes da cerimônia, Lula e Janja visitaram a Exposição alusiva ao aniversário de 80 anos da FAO e à cooperação Sul-Sul brasileira, ao lado de Qu Dongyu.
Ao abrir os trabalhos, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que Lula é “um líder incontornável” no combate à fome, citando a saída do Brasil do Mapa da Fome e a criação da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza.
O ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) defendeu que a soberania alimentar depende da paz. “Não podemos ficar calados e aceitar passivamente ações irresponsáveis que violam o direito internacional e colocam em risco a vida de milhões de pessoas, como aquelas que têm recrudescido no Caribe, no Oriente Médio e na África.”
O ministro Carlos Fávaro (Agricultura) pediu que a FAO fortaleça a ciência e a inovação e reforce a atuação nos fóruns multilaterais.
Entre as autoridades presentes, estavam:





