O congresso chinês aprovou na 5ª feira (12.mar.2026) o 15º PQN (Plano Quinquenal Nacional) para o período de 2026 a 2030. O documento estabelece em linhas gerais e com poucos prazos e objetivos concretos as diretrizes econômicas do PCCH (Partido Comunista da China) para os próximos 5 anos. Eis a íntegra do documento traduzido para o português (PDF – 5 MB).
Os PQN são uma herança da União Soviética, que também planejava seus planos econômicos de médio prazo por meio de planos quinquenais. A China iniciou em 1953 essa tradição, 5 anos depois da vitória do PCCH na 2ª fase da guerra civil (1946-1949) contra o partido nacionalista Kuomintang.
O PQN traz poucas novidades e funciona como uma consolidação de planos que já estão em andamento pelo governo chinês. O principal destaque são as ambições chinesas para o desenvolvimento de tecnologias de IA (inteligência artificial) nos próximos 5 anos.
Seguindo a linha da iniciativa lançada no ano passado chamada “AI Plus”, o governo chinês se compromete a integrar a tecnologia em sua economia de forma intensiva. O termo “inteligência artificial” é mencionado ao menos 42 vezes ao longo das 141 páginas do documento.
Outro termo bastante utilizado no documento é autossuficiência. O governo chinês deseja blindar sua cadeia produtiva das volatilidades do mercado e principalmente da dependência de importação de tecnologia de ponta de outros países.
A autossuficiência chinesa não se limita só ao setor tecnológico, mas também à segurança alimentar e energética. O país planeja elevar sua taxa em sementes centrais da agricultura para 85% até o final desta década e “importar de forma moderada” alimentos essenciais. Nesse ponto, o Brasil –principal exportador de carne e soja para a China– é quem pode sair perdendo.

No campo energético, a China planeja garantir uma oferta de 200 milhões de toneladas anuais de petróleo produzido no país, mantendo a média de produção registrada no ano passado. Ao mesmo tempo, aumentar as reservas de gás natural também é listada como uma prioridade nacional.
Outro material citado no documento para garantir a segurança energética do país é o carvão. O país tem vastas reservas no norte e tem investido nos últimos anos em métodos de produção de plástico por meio do minério para reduzir sua dependência do petróleo.
Além das fontes fósseis, o país continuará investindo em outras matrizes energéticas. Como já mostrou o Poder360, a China pretende dobrar sua capacidade de produção de energia por usinas eólicas offshore e de energia nuclear.





