O presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Jr., disse nesta 3ª feira (13.jan.2026) haver “fatores de preocupação” para que a empresa participe do leilão do STS-10 (Tecon Santos 10). A expectativa é que o certame seja realizado na 2ª quinzena de março.
“O próprio aeroporto do Guarujá a 3ª Via [em referência à 3ª pista da Rodovia dos Imigrantes]. Essas coisas todas impactam o modelo econômico”, declarou a jornalistas.
O executivo reconheceu a importância do Porto de Santos ao dizer que é a “principal porta de entrada” de mercadorias no Brasil. “É um ativo extremamente estratégico que eu tenho certeza absoluta que competição não vai faltar”, disse.
Russi Jr., no entanto, pôs em xeque o porto santista enquanto um megaterminal ao falar sobre a capacidade de se contemplar 3,2 milhões de TEUs (medida padrão para a capacidade de contêineres e navios porta-contêineres no transporte marítimo global).
“É um terminal, sim, de respeito, mas não é um megaterminal”, acrescentou.
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou à Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) na 2ª feira (12.jan) a modelagem final do Tecon Santos 10. A medida permite a publicação do edital do leilão.
O governo federal acolheu integralmente as recomendações e determinações do TCU (Tribunal de Contas da União). Isso inclui as diretrizes para evitar concentração de mercado na 1ª fase da disputa e o estabelecimento de um valor de outorga mínima de R$ 500 milhões.
Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), o modelo prioriza governança e retorno ao interesse público. Parte da outorga deverá ser reinvestida em obras estruturantes no Porto de Santos, que devem somar mais de R$ 800 milhões em melhorias.
O despacho foi assinado pela Secretaria Nacional de Portos antes do prazo estipulado pelo ministério, fixado para 15 de janeiro. O projeto vinha sendo discutido desde 2012, mas só avançou para a etapa final na atual gestão do governo federal.
O STS-10 prevê investimentos de R$ 6,4 bilhões e estabelece outorga mínima de R$ 500 milhões, valor que será pago ao poder público pela empresa vencedora do leilão. A concessão terá prazo de 25 anos, e vencerá a disputa quem oferecer o maior valor de outorga.
O novo terminal terá 621 mil m² de área e será destinado à movimentação e armazenagem de contêineres e carga geral. O projeto prevê a construção de quatro berços de atracação, ampliando significativamente a capacidade do Porto de Santos.
Com a entrada em operação do Tecon Santos 10, a capacidade anual do porto deverá alcançar 9 milhões de contêineres. A projeção do governo é que o Brasil suba da 45ª para a 15ª posição no ranking mundial de movimentação de contêineres, consolidando Santos como o principal hub portuário do Hemisfério Sul.
O Porto de Santos responde atualmente por cerca de 29% do comércio exterior brasileiro e já é o maior complexo portuário da América Latina.
Como próximo passo, o ministério solicitou à Antaq a realização de um roadshow para apresentar o projeto a investidores nacionais e estrangeiros. As datas devem ser divulgadas ainda nesta semana.
Roadshow é uma série de apresentações organizadas pelo governo ou por empresas para divulgar um projeto e atrair investidores. Nesses encontros, são explicadas as regras do leilão, os investimentos previstos, os riscos e as oportunidades de retorno, com o objetivo de ampliar a concorrência, dar transparência ao processo e estimular a participação de interessados no Brasil e no exterior.
*O jornalista viajou a convite da JBS Terminais





