O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irã, Abbas Araghchi, prometeu que Teerã vai cobrar “um preço elevado” pelos “crimes israelitas”, referindo-se aos ataques aéreos desta sexta-feira (27) a siderúrgicas e instalações nucleares civis iranianas.
“Israel atacou duas das mais importantes siderúrgicas do Irã, uma central elétrica e instalações nucleares civis, entre outras infraestruturas, em coordenação com os Estados Unidos”, denunciou Abbas Araghchi.
A Guarda Revolucionária também reagiu aos bombardeios, instando os responsáveis de instalações industriais da região do Médio Oriente ligadas aos Estados Unidos e a Israel a evacuarem esses locais, porque o Irã vai retaliar.
O diretor-geral da Agência Internacional da Energia Atômica (Aiea), Rafael Grossi, reiterou o “apelo para a contenção militar, para evitar qualquer risco de acidente” no Irã, após os ataques israelitas e norte-americanos a instalações nucleares.
“A Aiea foi informada pelo Irã de um ataque contra a central de Arkadan, na província de Yadz, no centro do país”, declarou a agência especializada da ONU nas redes sociais.
“Não foi registrado qualquer aumento nos níveis de radiação fora da central”, acrescentou.
O ataque aéreo à unidade de processamento de urânio de Ardakan foi inicialmente anunciado pela Organização Iraniana de Energia Atômica e logo confirmado pelo Exército israelita.
As forças israelitas “atacaram a única instalação desse tipo no Irã utilizada para produzir materiais necessários ao processo de enriquecimento de urânio”, indicou o Exército num comunicado, acrescentando que Israel “não permitirá” que o Irã “avance com o programa de armas nucleares”.
O complexo de processamento de água pesada de Khondab (novo nome do reator de Arak), situado a 2 horas da capital, foi também “alvo de um ataque, em duas fases, orquestrado pelo inimigo norte-americano e sionista”, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte local.
Foram igualmente bombardeados dois importantes complexos siderúrgicos iranianos, na região de Isfahan, no centro do Irã, e na província de Cuzistão, no sudoeste.
Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar ao Irã, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irã fechou o acesso ao estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.
A organização não governamental Hrana (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situa o número total de mortes no Irã em pelo menos 3.329, entre as quais 1.492 civis.
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