O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, cujo país detém atualmente a presidência do G7, considerou existir um consenso “muito alargado no seio da comunidade internacional para preservar um bem comum que é a liberdade de navegação”. “Está fora de questão viver num mundo em que as águas internacionais estejam fechadas à navegação”, acrescentou o ministro, durante uma conferência de imprensa no final da reunião, que ocorreu hoje e quinta-feira em Vaux-de-Cernay, perto de Paris. Barrot anunciou também que os ministros acordaram os termos de uma possível futura reunião entre o bloco e os homólogos do Conselho de Cooperação dos Estados Árabes do Golfo. Mas segundo a agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), na reunião dos representantes da diplomacia dos países do G7 ficaram evidentes as “profundas divisões” em relação à guerra com o Irã, na sequência das repetidas queixas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que os aliados ignoraram ou rejeitaram os pedidos de ajuda para fazer face à retaliação de Teerã, incluindo o encerramento do Estreito de Ormuz à maior parte do tráfego marítimo internacional. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, juntou-se aos seus homólogos do G7 um dia depois de Trump ter lançado uma nova série de críticas aos países da Otan, dificultando ainda mais a tarefa do representante da diplomacia dos Estados Unidos de promover a estratégia norte-americana para o conflito com o Irã. Quase um mês após o início da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel, os aliados enfrentam também preocupações quanto à instabilidade nos mercados petrolíferos e à incerteza sobre eventuais negociações para pôr fim à crise. A maioria dos aliados mais próximos de Washington recebeu a guerra com o Irã com profundo ceticismo, evidenciado durante a reunião dos ministros do G7, realizada em uma abadia histórica do século XII em Cernay-la-Ville, nos arredores de Paris, apesar de todos apelarem a uma solução diplomática. A ministra das Forças Armadas de França, Catherine Vautrin, afirmou que a guerra “não é da Europa”, acrescentando que a posição francesa é estritamente defensiva. “O objetivo é verdadeiramente esta via diplomática, que é a única que pode garantir um regresso à paz. Muitos países estão preocupados e é absolutamente essencial que encontremos uma solução”, declarou Vautrin às estações Europe 1 e CNews. A chefe da diplomacia britânica, Yvette Cooper, afirmou que o Reino Unido também privilegia uma via diplomática, reconhecendo divergências com os Estados Unidos. “Adotamos uma abordagem de apoio a ações defensivas, mas também seguimos uma via diferente relativamente às ações ofensivas que ocorreram no âmbito deste conflito”, disse. Já o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, afirmou ter deixado “clara” a posição de Berlim, nomeadamente a disponibilidade da Alemanha para desempenhar um papel após o fim das hostilidades no que diz respeito a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz. Wadephul acrescentou que o seu objetivo é “alargar o que há como base comum” relativamente ao conflito no Médio Oriente. Estados Unidos e Israel têm em curso desde 28 de fevereiro uma ofensiva militar de grande escala contra o Irã, que respondeu à ofensiva com ataques contra os países da região e o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma via marítima fundamental para escoar o petróleo e o gás natural produzidos na região. Saiba mais no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil Relacionadas“Não pode haver qualquer justificativa para o ataque deliberado a civis em situações de conflito armado, nem para ataques contra instalações diplomáticas”, prosseguiu o texto assinado pelos representantes das sete maiores economias mundiais (mais a União Europeia).
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