• Quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Indonésia habilita 14 novos frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina

Abertura de mercado estratégico na Ásia, com a Indonésia, fortalece o setor em meio às restrições impostas pela China e amplia as perspectivas para as exportações de carne bovina em 2026

Abertura de mercado estratégico na Ásia, com a Indonésia, fortalece o setor em meio às restrições impostas pela China e amplia as perspectivas para as exportações de carne bovina em 2026 O Brasil deu mais um passo importante na consolidação de sua presença no mercado internacional de carne bovina. A Indonésia autorizou a habilitação de 14 novos frigoríficos brasileiros para exportação, ampliando de forma significativa o número de plantas aptas a atender um dos maiores mercados consumidores da Ásia. A decisão reforça a estratégia brasileira de diversificação de destinos e ganha ainda mais relevância em um momento de ajustes no comércio global da proteína animal. A informação foi confirmada pelo secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luis Rua, durante a participação da delegação brasileira na Gulfood, uma das maiores feiras internacionais de alimentos e bebidas do mundo, realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos .
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  • Com as novas autorizações, o Brasil passa a contar com 52 plantas frigoríficas habilitadas a exportar carne bovina para a Indonésia, país que ocupa a quarta posição no ranking de população mundial, com cerca de 287 milhões de habitantes, e apresenta consumo crescente de proteína animal. window._taboola = window._taboola || []; _taboola.push({mode:'thumbnails-mid', container:'taboola-mid-article-thumbnails', placement:'Mid Article Thumbnails', target_type: 'mix'});Lista das novas plantas habilitadas para exportação de carne bovina Entre os frigoríficos que receberam aval sanitário das autoridades indonésias estão unidades localizadas em importantes polos da pecuária nacional. A lista inclui plantas da JBS em Andradina (SP), Anastácio (MS) e Campo Grande (MS); além de Cooperfrigu (TO), Distriboi (RO), Fisacre (AC), Fribal (MA), Frigol (PA), Frigorífico Pantanal (MT), Mercúrio (PA), Minerva (SP), Primafoods (MG) e Zancheta (SP). A diversidade geográfica evidencia a capilaridade da indústria brasileira e a capacidade de atender diferentes mercados com escala e sanidade. Mercado indonésio ganha peso estratégico A ampliação do acesso ao mercado indonésio ocorre poucos meses após 17 indústrias brasileiras já terem sido habilitadas, em setembro do ano passado. Para o governo e para o setor produtivo, trata-se de um movimento estratégico. A Indonésia é vista hoje como um mercado tão relevante quanto a China, tanto pelo tamanho da população quanto pelo potencial de crescimento do consumo per capita. Segundo o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, a abertura de mercado é resultado direto de articulações diplomáticas e comerciais intensificadas ao longo de 2025, incluindo missão presidencial ao país asiático. O objetivo, segundo ele, é garantir previsibilidade e ampliar as alternativas de destino para a carne brasileira, reduzindo a dependência de poucos compradores. Exportações de carne bovina em alta e abastecimento interno garantido Apesar das preocupações recorrentes de parte dos consumidores sobre o impacto das exportações nos preços internos, os dados do setor indicam um cenário diferente. O consumo doméstico segue em crescimento ao mesmo tempo em que as vendas externas batem recordes. De acordo com números da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), o Brasil exportou 3,15 milhões de toneladas de carne bovina entre janeiro e novembro, volume 18,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. A receita alcançou US$ 16,18 bilhões, com avanço expressivo de 37,5% no faturamento. Especialistas do setor reforçam que o déficit global de carne bovina é estrutural e que os ganhos de produtividade da pecuária brasileira, impulsionados por tecnologia, genética e manejo, permitem atender simultaneamente o mercado interno e o externo, gerando valor ao longo de toda a cadeia produtiva. Diversificação ganha força diante das cotas da China A habilitação de novos frigoríficos para a Indonésia ocorre em um contexto de maior cautela no comércio com a China. O país asiático estabeleceu cotas de importação de 1,1 milhão de toneladas, com tarifas de até 55% sobre volumes excedentes, medida válida até 2028. Diante disso, entidades do setor, como a Abiec, têm intensificado o diálogo com o governo para mitigar os impactos e acelerar a abertura de novos mercados. Perspectivas positivas para 2026 Para o Mapa, o cenário para a carne bovina brasileira segue promissor. Desde 2023, o Brasil abriu 27 novos mercados, sendo 11 apenas no último ano. Para 2026, estão no radar negociações com a Coreia do Sul e a expectativa de auditoria do sistema brasileiro de inspeção pelo Japão, o que pode representar um novo salto nas exportações. A entrada de mais frigoríficos no mercado indonésio, portanto, não é um movimento isolado, mas parte de uma estratégia contínua de expansão internacional. Em um ambiente global cada vez mais competitivo, o Brasil reforça sua posição como um dos principais fornecedores de carne bovina do mundo, combinando escala produtiva, sanidade e capacidade de adaptação às exigências dos mercados consumidores.
    Por: Redação

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