A tradicional correria para reunir recibos, informes de rendimentos e preencher a declaração do Imposto de Renda do zero deve virar coisa do passado para os brasileiros. O Ministério da Fazenda trabalha nos bastidores para extinguir o preenchimento manual do documento em um prazo de dois a três anos. O objetivo é consolidar um modelo inteiramente automatizado, em que o cidadão assume apenas o papel de checar as informações repassadas pelo Leão. A mudança é o próximo passo na evolução da declaração pré-preenchida, ferramenta que caiu no gosto dos contribuintes e que deve alcançar mais da metade da base de envios na atual temporada.
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a tecnologia atual e o volume de dados cruzados rotineiramente por bancos e empresas tornam o formato antigo obsoleto. Em entrevista à Rádio CBN, Durigan questionou a necessidade de o contribuinte desperdiçar tempo de descanso ou de trabalho para digitar dados que o Fisco, por vias digitais, já monitora ao longo do ano.
O funcionamento desse novo ecossistema digital da Receita Federal depende de um cerco inteligente a três fontes principais de informação: o RH das empresas (fontes pagadoras), o extrato de investimentos e contas das instituições financeiras e os relatórios de despesas enviados por operadoras de saúde e clínicas médicas. Com esses dados centralizados e amarrados por algoritmos, a plataforma oficial vai gerar uma proposta de prestação de contas pronta. Caberá ao contribuinte entrar no sistema, revisar os valores na tela e dar o “ok” final.
Apesar da meta ousada para os próximos anos, o Palácio do Planalto adota uma postura de cautela e planeja uma migração em etapas. Como o banco de dados é alimentado por terceiros, erros de digitação de uma empresa ou de um plano de saúde ainda podem acontecer. Por isso, a Receita reforça que o olhar atento do usuário seguirá fundamental para evitar que inconsistências alheias joguem o CPF do contribuinte na malha fina.
*Com edição de Nicoly Souza





